Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "

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Capítulo XXXI

Sobre as Sociedades Espíritas (continuação)

XVIII - Zombaram das mesas girantes, mas jamais zombarão da filosofia, da sabedoria e da caridade que brilham nas comunicações sérias. Foram elas o vestíbulo da ciência. Ao passar por elas devemos deixar os preconceitos como se deixa uma capa. Eu vos pediria demasiado para fazer de vossas reuniões um centro de trabalho sério. Que se façam demonstrações físicas onde quiserem, que por aí se observe, que por aí se ouça, mas que entre vós se compreenda e se ame. O que julgais ser aos olhos dos Espíritos superiores, quando fazeis girar ou levantar-se uma mesa? Simples colegiais. O sábio passaria o seu tempo a repetir o abecê da ciência? Entretanto, ao ver-vos interessados nas comunicações sérias, eles vos consideram como homens sérios em busca da verdade.

Perguntamos a São Luís se ele queria com isso condenar as manifestações físicas e ele respondeu:

Eu não poderia condenar as manifestações, desde que, se elas ocorrem é com a permissão de Deus e com uma finalidade útil. Ao dizer que elas representaram o vestíbulo da ciência assinalei o seu verdadeiro lugar e a sua utilidade. Não censuro senão os que as produzem por divertimento e curiosidade, sem delas tirar o ensinamento conseqüente. Elas estão para a filosofia espírita como a gramática para a literatura. Aquele que chegou a determinado grau numa ciência não perde mais tempo em reestudar suas partes elementares.

XIX - Meus amigos e crentes fiéis, sou sempre feliz de poder vos guiar na senda do bem. É uma doce missão que Deus me concede e à qual me dedico, porque ser útil já é em si mesmo uma recompensa. Que o Espírito de caridade vos una, tanto a caridade que dá como a que ama. Sede pacientes com as injúrias dos vossos detratores, sede firmes no bem e sobretudo humildes perante Deus. O que eleva é somente a humildade: ela é a única grandeza que

Deus reconhece. Somente assim os Espíritos bons vos atenderão; do contrário os do mal se apoderarão da vossa alma. Bendizei o nome do Criador e vos engrandecereis aos olhos dos homens, ao mesmo tempo que aos de Deus.

São Luiz

XX - A união faz a força, uni-vos para serdes fortes. O Espiritismo germinou, lançou raízes profundas e vai estender sobre a Terra a sua ramagem benfazeja. É necessário que vos torneis invulneráveis aos dardos envenenados da calúnia e da negra falange dos Espíritos ignorantes, egoístas e hipócritas. Para chegar a isso, uma indulgência e uma benevolência recíprocas devem presidir às vossas relações; vossos defeitos devem passar despercebidos e vossas qualidades, somente elas, devem ser observadas. A chama da amizade pura deve unir, iluminar e aquecer os vossos corações. Assim podereis resistir aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável resiste às vagas furiosas.

Vicente de Paulo

XXI - Meus amigos, quereis formar um grupo espírita e eu vos aprovo, pois os Espíritos não podem ver com satisfação os médiuns que se conservam isolados. Deus não lhes concedeu essa faculdade sublime para eles somente, mas para o benefício geral. Na relação com os outros eles têm mil ocasiões de se esclarecerem quanto ao mérito das comunicações que recebem, enquanto sozinhos estão mais sujeitos ao domínio dos Espíritos mentirosos, encantados de verem o médium sem controle. Eis o que vos deixo, e se não estiverdes dominados pelo orgulho, compreendereis e aproveitareis. Eis agora para os outros.

Sabeis realmente o que é uma reunião espírita? Não, porque no vosso zelo pensais que o melhor a fazer é reunir o maior número de pessoas, a fim de as convencer. Desenganai-vos disso. Quanto menos pessoas, mais obtereis. É sobretudo pela ascendência moral que encaminhareis os incrédulos, muito mais que pelos fenômenos. Se apenas os atrairdes por meio de fenômenos, eles irão vê-los por curiosidade e encontrareis curiosos que não acreditarão e rirão dos vossos esforços; se entre vós só existirem pessoas dignas, talvez não creiam imediatamente, mas vos respeitarão e o respeito inspira sempre confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve produzir uma reforma moral. Que o vosso grupo seja o primeiro a dar exemplo das virtudes cristãs, porque neste tempo de egoísmo é nas sociedades espíritas que a verdadeira caridade deve encontrar refúgio.(3) Assim deve ser, meus amigos, um grupo de verdadeiros espíritas. De outra vez vos darei outros conselhos.

Fénelon

XXII - Perguntastes se a multiplicidade dos grupos numa mesma localidade não poderia provocar rivalidades prejudiciais para a doutrina. A isso responderei que se estiverem imbuídos dos verdadeiros princípios dessa doutrina, verão irmãos em todos os espíritas e não rivais. Os que vissem outras reuniões com ciúmes provariam estar com segunda intenção, por interesse ou amor-próprio, não sendo guiados pelo amor da verdade. Garanto-vos que se pessoas assim estivessem entre vós provocariam logo a perturbação e a desunião. O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade. Dele se exclui toda rivalidade que não seja a do bem que se pode fazer. Todos os grupos que inscreverem essa divisa em sua bandeira poderão dar-se as mãos como bons vizinhos, que não são menos amigos por não morarem na mesma casa. Os que pretendessem ter por guia os melhores Espíritos deveriam prová-lo mostrando melhores sentimentos. Que haja luta, pois, entre eles, mas uma luta de grandeza de alma, de abnegação, de bondade e humildade. Aquele que atirasse uma pedra no outro provaria estar influenciado por Espíritos maus. A natureza dos sentimentos que dois homens manifestem um pelo outro é a pedra de toque pela qual podemos conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem.

Fénelon

(3) Conhecemos um senhor que foi aceito num emprego de confiança, numa firma importante, por ser espírita sincero. Entenderam que esse fato era uma garantia da sua condição moral. (Nota de Kardec). -A importância da conduta moral do espírita decorre da importância do exemplo individual no meio social. O fato anotado por Kardec ainda hoje se repete, graças aos exemplos de abnegação de muitos adeptos realmente devotados à prática do bem. Esses exemplos engrandecem a doutrina e facilitam assim a sua divulgação, a sua influência na transformação do mundo. (N. do T.)

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