Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "

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Capítulo XXV

Utilidades das Evocações Vulgares (continuação)

11. Será inconveniente evocar Espíritos inferiores e será de temer que eles dominem o evocador?

— Eles só dominam os que se deixam dominar. Quem for assistido por Espíritos bons nada tem a temer, porque se impõe aos Espíritos inferiores e não estes a ele. Os médiuns quando sós, principalmente quando iniciantes, devem evitar essa espécie de evocações. (Ver nº 278)

12. Há algumas disposições especiais para as evocações?

— A disposição principal é a do recolhimento, quando se deseja a comunicação de Espíritos sérios. Com fé e o desejo do bem há maior capacidade para se evocar Espíritos superiores. Ao elevar a alma por alguns instantes de recolhimento, no momento da evocação, a gente se identifica com os Espíritos bons e os dispõe a se manifestarem.

13. A fé é necessária para as evocações?

— A fé em Deus, sim. Quanto ao mais, a fé se desenvolverá com o desejo do bem e a intenção de instruir-se.

14. Reunidos pela unidade de pensamentos e intenções os homens se tornam mais fortes para evocar os Espíritos?

— Quando todos se reúnem pela caridade e para o bem, conseguem grandes coisas. Nada é mais nocivo para o êxito das evocações do que a divergência de pensamentos.

15. É útil o hábito de formar corrente, dando-se as mãos por alguns minutos no começo das reuniões?

— A corrente é um meio material que não produz a união entre vós se ela não existir nos pensamentos. Mais eficaz que essas coisas é a união num pensamento comum, apelando cada qual para os Espíritos bons. Não sabeis o que se poderia obter numa reunião séria, da qual se houvesse afastado todo sentimento de orgulho e de personalismo, reinando um perfeito sentimento de mútua cordialidade.

16. É preferível fazer as evocações em dias e horas determinados?

— Sim, e se possível no mesmo local. Os Espíritos então comparecem mais à vontade. A vossa constância ajuda os Espíritos a virem comunicar- se convosco. Eles têm as suas ocupações, que não podem deixar de repente para vossa satisfação pessoal. Quando digo no mesmo local não me refiro a uma obrigação absoluta, pois os Espíritos vão a toda parte. Quero dizer que é preferível um local consagrado às reuniões, porque o recolhimento se torna mais perfeito.

17. Certos objetos, como medalhas e talismãs, têm a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos, como pretendem algumas pessoas?

— Pergunta inútil, pois sabeis que a matéria não exerce nenhuma ação sobre os Espíritos. Ficai certos de que jamais um Espírito bom aconselha semelhantes absurdos. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza, só existe na imaginação das criaturas supersticiosas.

18. Que pensar dos Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres em horas inconvenientes?

— São Espíritos que se divertem com os que lhes dão ouvidos. É sempre inútil e freqüentemente perigoso ceder a essas sugestões. Inútil, porque nada absolutamente se ganha além de ser mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam fazer, mas pela influência que isso pode exercer nos cérebros fracos.

19. Há dias e horas mais propícias para as evocações?

— Para os Espíritos isso é completamente indiferente, como tudo o que é material, e seria supersticioso acreditar na influência dos dias e das horas. Os momentos mais propícios são aqueles em que o evocador esteja menos absorvido pelas suas preocupações habituais, em que o seu corpo e o seu espírito estejam mais calmos.

20. A evocação é agradável ou penosa para os Espíritos? Eles atendem de boa vontade quando os chamamos?

— Isso depende do seu caráter e do motivo porque o chamam. Quando o objetivo é louvável e o meio é simpático, a evocação se torna agradável e mesmo atrativa. Os Espíritos se sentem sempre felizes com os testemunhos de afeição. Há os que consideram uma grande felicidade poder comunicar- se com os homens e sofrem com o esquecimento destes. Mas, como já disse, isso também depende do seu caráter. Entre os Espíritos existem também os misantropos que não gostam de ser incomodados, cujas respostas se ressentem do seu mau humor, sobretudo quando chamados por criaturas que lhes são indiferentes, pelas quais não se interessam. Um Espírito não tem, muitas vezes, nenhum motivo para atender o apelo de um desconhecido que lhe é indiferente e que age quase sempre movido pela curiosidade. Nesse caso, se ele atende é geralmente em rápidas passagens, a menos que exista um objetivo sério e instrutivo na evocação.

Observação - Vemos pessoas que só evocam seus parentes para fazer perguntas sobre as coisas mais vulgares da vida material. Por exemplo: um para saber se alugará ou venderá a sua casa; outro, para indagar do lucro que obterá com sua mercadoria, qual o lugar onde há dinheiro escondido, se tal negócio será ou não vantajoso. Nossos parentes de além-túmulo só se interessam por nós em razão da afeição que lhes conservamos. Se todos os nossos pensamentos se limitam a julgá-los feiticeiros, se só pensamos neles pedindo informações, não podem ter grande simpatia por nós e não devemos nos admirar de que nos demonstrem pouca benevolência.

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