Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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IV. Comissão Central

A autoridade da comissão central será temporária e seus atos sujeitos à apreciação de congressos ou assembléias gerais de que adiante falaremos.

Para os adeptos em geral a aprovação ou reprovação, o consentimento ou a recusa, as decisões, em suma, de um corpo constituído, representando uma opinião coletiva, terão forçosamente autoridade, que nunca teriam, se emanassem de um só indivíduo, que não representa senão a sua própria opinião. Muitas vezes o indivíduo rejeita a opinião de um só, sente-se humilhado em submeter-se, mas sem relutância aceita a opinião de muitos.

Está subentendido que se trata de uma autoridade moral no que concerne à interpretação e aplicação dos princípios da Doutrina e não de um poder disciplinar qualquer. Esta autoridade será, em matéria de Espiritismo, o que é uma academia em matéria de ciência.(*)

(*) O grifo é nosso. (N. do Rev.)

Para os não adeptos, um corpo constituído tem mais ascendência e preponderância. Contra os adversários, principalmente, oferece uma força de resistência e possui meios de ação, que um indivíduo só não poderia ter. Luta com muito mais vantagens. Investem contra o indivíduo, batem-lhe; mas não se faz do mesmo modo a um ser coletivo.

Há igualmente em um ser coletivo uma garantia de estabilidade, que não existe quando tudo repousa sobre uma única pessoa; e é que qualquer coisa pode embaraçar o indivíduo e tudo paralisar. Um ser coletivo, pelo contrário, perpetua-se incessantemente; ainda que pereça um ou mais membros, nada periclita.

O essencial é que estejam de acordo acerca de princípios fundamentais; ora esta será uma condição absoluta para sua admissão e para a de todos os co-participantes da direção. Sobre as questões secundárias, pouco importa a divergência, pois que prevalecerá a opinião da maioria.

Aquele cuja opinião fôr justa não faltarão razões para justificá-las. Se alguém, contrariado por não aceitarem as suas idéias, se retirar, nem por isso interromperá a marcha das coisas, nem dará motivo de pesar, porque esse terá dado prova de orgulhosa suscetibilidade, pouco espírita, podendo vir a ser causa de perturbações.

A causa mais geral de divisão entre co-interessados é a colisão de interesses e a possibilidade de um suplantar a outro em seu proveito. Esta causa nenhuma razão de ser tem, desde o momento em que o preconceito de um não possa aproveitar aos outros, quando são todos solidários e não podem senão perder, em lugar de ganhar, com a desunião. Essa é uma questão de somenos importância, prevista na organização.

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