Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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X. Allan Kardec e a Nova Constituição

A Revista tem sido e não podia ser até hoje senão uma obra pessoal, visto que faz parte das nossas obras doutrinárias, servindo de anais do Espiritismo. É por ela que todos os nossos princípios são elaborados e sujeitos a estudo. Era pois necessário que conservasse o seu caráter individual para fundar a unidade. Muitas vezes nos reclamaram mais assídua publicação; mas não pudemos aceder a esse desejo, por mais lisonjeiro que fosse; não só porque nos faltava o tempo para esse aumento de trabalho, como porque a Revista não devia perder o seu caráter essencial, que não é o de uma revista propriamente dito.

Hoje, que a nossa obra individual se aproxima do termo, as necessidades já não são as mesmas.

A Revista tornar-se-á, como as outras nossas obras feitas e por fazer, propriedade coletiva da comissão, que lhe tomará a direção, para maior utilidade do Espiritismo, sem que, por isso, lhe retiremos a nossa colaboração.

Para completar o trabalho doutrinal ainda nos falta publicar muitas obras que não são a parte menos difícil e penosa. Conquanto já possuamos todos os elementos, e lhes tenhamos traçado o programa até ao último capítulo, não podemos aplicar-lhe toda a nossa atividade e assíduos cuidados, enquanto a instituição da comissão central nos não libertar de minudências, que nos roubam parte do tempo.

O primeiro período do Espiritismo foi consagrado ao estudo dos princípios e das leis, cujo conjunto deveria constituir a Doutrina; em uma palavra, à preparação dos materiais; e ao mesmo tempo à vulgarização da idéia. Esta, à semelhança da semente do Evangelho, não frutificará por igual em toda parte.

A criança cresceu; está feita e o momento é chegado em que, sustentada por adeptos sinceros e devotados, deve caminhar para o destino, que lhe foi marcado, sem que a tolham os retardatários. Como porém fazer distinções? Quem ousaria tomar a responsabilidade de um juízo sobre as conseqüências individuais? Seria melhor evitar juízos temerários e que a doutrina se impusesse por si própria. Erguida a bandeira, segui-la-iam aqueles que adotassem a Doutrina.

Tomando a iniciativa da constituição do Espiritismo, usamos de um direito comum o que tem todo homem de completar, como entender, a obra que começou, de ser juiz da oportunidade. Desde que todos têm seu livre-arbítrio para aderir ou não, ninguém pode queixar-se de sofrer pressão arbitrária.

Criamos a palavra Espiritismo(133) para as necessidades da causa e temos o direito de determinar-lhe as aplicações e de definir as qualidades e as crenças do verdadeiro espírita (Revista de abril de 1866 pág. 111).(*).

(133) A palavra Espiritismo foi criada por Kardec para designar a doutrina por ele codificada. Qualquer outro uso que lhe dêem é abusivo. Os sociólogos passaram a usá-la para designar crenças, religiões e práticas mediúnicas primitivas e os adversários do Espiritismo serviram-se disso para confundir a opinião pública. (N. do Rev.)

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