Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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Regeneração da Humanidade

Não pensem porém que em virtude da falada emigração, todos os retardatários sejam expulsos da Terra e atirados para mundos inferiores. Muitos destes tornarão à vida terrena, por terem sido vítimas da influência das circunstâncias e do exemplo: o envoltório era neles pior que o âmago. Uma vez subtraídos à ação da matéria e dos preconceitos do mundo corporal, eles, em crescido número, verão as coisas muito diferentemente do que lhes parecia em vida. Tendes inúmeros exemplos disso. Serão ajudados pelos Espíritos beneficentes, que procuram esclarecê-los e mostrar-lhes o falso caminho, que seguiram.

Pelas preces e exortação podeis também contribuir para que melhorem, visto como há perpétua solidariedade entre vivos e mortos. Eles poderão pois voltar e serão felizes, porque a volta é uma recompensa. Que importa o que foram e o que fizerem, se estão animados dos melhores sentimentos? Longe de serem adversos à sociedade e ao progresso, serão auxiliares úteis, porque pertencerão à nova geração.

Não haverá portanto exclusão definitiva senão para os Espíritos tenazmente rebeldes ou sejam aqueles que, dominados pelo egoísmo e pelo orgulho, mais do que por ignorância, se tornam surdos à voz do bem e da razão. Estes mesmos porém não são votados à inferioridade perpétua e dia virá em que repudiarão o passado e abrirão os olhos à luz. Orai pois por esses espíritos endurecidos a fim de que se dobrem enquanto é tempo, porque se aproxima o dia da expiação.

A maior parte infelizmente, não ouvindo a voz de Deus, persistirá na cegueira e essa resistência marcará o fim do reinado desses infelizes por lutas tremendas. No desvairamento, correrão para a sua perda — provocarão a destruição, que produzirá uma multidão de flagelos e calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era nova. E como se a destruição não caminhasse com bastante rapidez, ver-se-ão os suicídios multiplicarem-se numa proporção inaudita, até entre as crianças.

Jamais se terá visto tão grande número de loucos, pobres desgraçados, que são riscados, antes da morte, do número dos viventes. São estes os verdadeiros sinais dos tempos! E tudo isto se realizará pelo encadeamento de circunstâncias, sem que, como já dissemos, sejam derrogadas, nem de leve, as leis da natureza.(119)

(119) As lutas terríveis mencionadas acima abalaram e enodoaram o século XX, que não é somente das luzes, mas também das explosões assassinas e da maldade sem freios. Os casos de loucura aumentam dia a dia, exigindo a multiplicação de sanatórios e trabalhos espíritas de desobsessão. (N. do Rev.)

Entretanto, através da nuvem sombria que vos envolve, e no seio da qual brame a tempestade, já podeis divisar os primeiros raios da nova era! A fraternidade já lança os fundamentos por todos os pontos do globo e os povos estendem-se as mãos. A barbaridade familiariza-se em contacto com a civilização; os preconceitos de raça e de seitas, que fizeram correr em ondas, se vão extinguindo; o fanatismo, a intolerância, perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito. Por toda a parte fermentam as idéias; vê-se o mal e procura-se o remédio; muitos porém navegam sem bússola e perdem-se em utopias.

O mundo está num grande trabalho de gestação, que dura há cerca de um século; neste trabalho, ainda confuso, domina entretanto a tendência para certo fim; o da unidade e da uniformidade, que predispõem para a confraternização.(120) São também sinais dos tempos.

(120) Muitos lamentam esse processo de uniformização, hoje bem mais visível que no tempo de Kardec. Mas não se trata de padronização e sim de superação de características exteriores. A individualização das criaturas e dos povos permanece e melhor se define em seus atributos essenciais. É ela que produz a harmonia do conjunto e prepara a grande fraternidade da nova era. (N. do Rev.)

Enquanto os outros são da agonia do passado, são estes os primeiros vagidos da criança, que nasce, os precursores da aurora do próximo século, em que a nova geração está em plena pujança, tanto quanto a fisionomia do século dezenove difere da do dezoito como, sob certos aspectos, difere a do século dezenove da do vigésimo, sob outros.

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