Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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Meu Guia Espiritual

P. O nome de Verdade, que tomaste, é alusivo à verdade que procuro?(87)

(87) Neste trecho o texto francês elimina o artigo. (N. do Rev.)

R. Talvez. Pelo menos é um guia que te protegerá e te ajudará.

P. Posso evocar-vos em minha casa?

R. Sim, para assistir-te em pensamento; quanto a respostas escritas, muito tempo levarás antes de obtê-las.

Observação. — De fato, pelo espaço de um ano, nunca pude obter, em casa, comunicação alguma escrita, e toda a vez que ali se achasse um médium, de quem esperasse obter alguma coisa, surgiam circunstâncias imprevistas, que o impediam. Não obtinha comunicações senão fora de casa.

P. Não podeis vir mais de uma vez por mês?

R. Posso; mas até nova ordem, não prometo.

P. Animaste alguma pessoa conhecida na Terra?

R. Disse-te que para ti eu era a Verdade; este para ti quer dizer — discrição; não deves querer saber mais.(88)

(88) Volta o artigo la na frase ditada pelo Espírito. Esse artigo indicava que era a própria verdade que se manifestava por ele. Mais tarde virá a ligação do nome com o texto evangélico. (N. do Rev.)

Observação. — À noite, entrando em casa, apressei-me a ler o que havia escrito e, tanto no rascunho atirado à cesta, como em o novo escrito, reconheci um grave erro na 30ª linha, que me admirei de haver cometido. Desde então nenhuma manifestação daquele gênero se deu, por inútil, visto acharem-se estabelecidas as relações com o meu espírito protetor. As conferências mensais, que ele me havia prometido, não foram pontualmente realizadas, a princípio, e mais tarde deixaram de o ser completamente. Foi sem dúvida para advertir-me de que devia trabalhar por mim mesmo e não me acostumar a recorrer a ele, para resolver qualquer dificuldade, por mais insignificante que fosse.

9 de abril de 1856

Em casa do Sr. Baudin — Médium, a Srta. Baudin

P. (À Verdade). Criticaste o trabalho, que fiz outro dia, e tiveste razão. Tornei a lê-lo e reconheci na 30ª linha um erro contra o qual protestaste com as pancadas que me fizeste ouvir. Tive de reconhecer outros defeitos e refazer o trabalho. Estais agora mais satisfeito?

R. Acho-o melhor; mas peço-te que demores um mês em dá-lo à publicidade.

P. O que quereis dizer em dá-lo à publicidade? Eu não tinha intenção de publicá-lo agora, se é que algum dia o faça.

R. Quero dizer — mostrá-lo a alguém. Procura qualquer pretexto para recusá-lo aos que te pedirem. Daqui até lá, poderás melhorá-lo. Faço-te esta recomendação para poupar-te à crítica. É o teu amor- próprio que zelo.

P. Disseste-me que seríeis para mim um guia a ajudar-me e a proteger-me. Compreendo essa proteção e o seu fim em certa ordem de coisas; mas tende a bondade de dizer-me se também se estende às coisas materiais da vida.

R. A vida material é na Terra coisa de grande importância. Não te ajudar a viver, seria não te amar.

Observação. — A proteção desse Espírito, cuja elevação bem longe estava então de avaliar, nunca me faltou. A sua solicitude, e a dos bons Espíritos às suas ordens, estendeu-se a todas as circunstâncias da minha vida, tanto em relação às dificuldades materiais, como para facilitar-me os trabalhos e preservar-me da malevolência dos meus antagonistas, sempre reduzidos à impotência. Se não me foram poupadas as tribulações inerentes à missão, que eu tinha que desempenhar, foram, entretanto, atenuadas e compensadas por bem doces satisfações morais.

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