Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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A Minha Iniciação no Espiritismo

Os espíritas em lingua portuguesa nunca falam em tupia, mas sempre em cesta. Não há razão plausível para a preferência. O desconhecimento da forma tupia se deve naturalmente aos primeiros tradutores das obras de Kardec, os quais preferiram cesta à tupia vernaculizada. Nota do tradutor.

Este método, que exige o concurso de duas pessoas, exclui toda a possibilidade de participação das idéias do médium. Por ele vi comunicações seguidas e respostas dadas, não só a perguntas, que eram propostas, como até a mentais, fato que denunciava, em toda a evidência, a intervenção de inteligência estranha.

Os assuntos aí tratados eram geralmente frívolos; ocupavam-se principalmente de coisas da vida material; nada verdadeiramente sério, sendo a curiosidade e o passatempo o principal móvel dos assistentes. O Espírito, que se manifestava, habitualmente, dava o nome de Zéfiro, de acordo com o seu caráter e com o da reunião; entretanto, era muito bom e tinha-se declarado protetor da família. Se quase sempre fazia rir, sabia, a propósito, dar bons conselhos e manejar, convenientemente, o epigrama mordaz e espirituoso.

Em pouco nos relacionamos e ele deu-me constantes provas de grande simpatia. Não era muito adiantado, porém, mais tarde, assistido por Espíritos superiores, ajudou-me nos meus primeiros trabalhos. Depois, disse-me que devia reencarnar, e nunca mais tive notícias suas.

Foi ali que fiz os meus primeiros estudos sérios sobre Espiritismo, não tanto pelas revelações, como pelas observações. Apliquei a esta ciência o método experimental, não aceitando teorias preconcebidas, e observava atentamente, comparava e deduzia as conseqüências, dos efeitos procurava elevar-me às causas, pela dedução e encadeamento dos fatos, não admitindo por valiosa uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que procedi sempre em meus anteriores trabalhos, desde os 15 anos.

Compreendi logo a gravidade da tarefa, que ia empreender, e entrevi naqueles fenômenos a chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro da humanidade, cuja solução vivi sempre a procurar; era, enfim, uma revolução completa nas idéias e nas crenças do mundo.

Cumpria-me pois proceder com circunspecção e não levianamente, ser positivo e não idealista para não me deixar levar por ilusões.

Um dos primeiros resultados das minhas observações foi saber que, sendo os Espíritos as almas dos homens, não possuem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência, e que o seu saber era limitado ao grau de adiantamento, assim como a sua opinião só tinha o valor de opinião pessoal. Esta verdade, reconhecida desde o princípio, preservou-me do perigo de acreditar na infalibilidade deles e livrou-me de formular teorias prematuras sobre os ditados de um ou de alguns.

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