Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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A Minha Iniciação no Espiritismo

— Um dia serás dos nossos — disse-me — e eu respondi-lhe:

— Não digo que não; veremos mais tarde.

Algum tempo depois, em maio de 1855, fui à casa da Sra. Roger, sonâmbula, em companhia de Fortier, seu magnetizador. Ali encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. de Plainemaison, que me falaram no mesmo sentido que Carlotti, mas em outro tom.

O Sr. Pâtier era empregado público, homem de meia-idade, muito instruído, de caráter grave, frio e calmo. A sua linguagem comovida, isenta de entusiasmo, produziu-me viva impressão, e, quando me convidou para assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, na Rua Batelière, 18, aceitei o convite com sumo prazer. Emprazamo-nos para terça-feira, às 8 horas da noite. Alí, pela primeira vez, fui testemunha do fenômeno das mesas que giram, saltam e correm; e o fui em condições de não poder alimentar dúvida. Vi, também, alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica em uma ardósia, com o auxílio de uma cesta.

Longe estava eu de firmar as minhas idéias mas ali se deparava um fato, que devia ter uma causa. Entrevi, oculto naquelas futilidades aparentes, e entre aqueles fenômenos, de que se fazia um passatempo, algo de muito sério, talvez a revelação de uma nova lei, que fiz o propósito de descobrir. Bem cedo tive ocasião de observar mais atentamente do que até então o havia feito.

Em uma das sessões da Sra. Plainemaison, travei relações com a família Baudin, que morava na Rua Rochecourt. O Sr. Baudin convidou-me para as suas sessões hebdomadárias, nas quais fui assíduo. As reuniões eram muito numerosas, admitindo-se quem quer que o pedisse, além das pessoas habituais. Os dois médiuns eram as Srtas. Baudin, que escreviam numa pedra, com o auxílio da cesta, chamada tupia(84), descrita em O Livro dos Médiuns.

A forma tupia é já conhecida de alguns autores em lingua portuguesa. Talvez Allan Kardec tenha dado o nome de tupia à cesta por analogia com o movimento de rotação dos piões — movimento esse que a cesta naturalmente fazia — e faz — quando debaixo da ação de Espíritos.

A tupia, em marcenaria, é — segundo um técnico escolar — uma máquina, com mais ou menos um metro de quadro, para moldurar.

(84) Tupia é a vernaculização do francês toupie; significa pião, pitorra, carapeta.

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