Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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As Expiações Coletivas

As virtudes da vida privada não são as da vida pública; pode o indivíduo ser excelente cidadão, porém mau pai de família; um pai de família bom, pobre e honesto, pode ser mau cidadão, ter fomentado a discórdia, oprimido o fraco, manchado as mãos em crimes de lesa-sociedade. São faltas coletivas, que devem ser expiadas coletivamente pelos que, juntos, as praticaram, e então, para sofrerem a pena de Talião ou terem ensejo de reparar o mal que fizeram, reunem-se na seguinte existência, com o intuito de se dedicarem à causa pública, socorrendo e ajudando aqueles que outrora maltrataram.

O que é incompreensível, inconciliável com a justiça de Deus sem a preexistência da alma, se torna claro e lógico pelo conhecimento da lei.

A solidariedade, que é o verdadeiro laço social, não é só para o presente; estende-se ao passado e ao futuro, pois que os mesmos indivíduos se encontram, e se encontrarão para juntos seguirem as vias do progresso, prestando mútuo concurso.

Eis o que faz compreender o Espiritismo pela equitativa lei da reencarnação e da continuidade das relações entre os mesmos seres.(72)

(72) A lei da reencarnação no Espiritismo não é a mesma de outras doutrinas. Há profundas diferenças entre as várias doutrinas reencarnacionistas. Certos críticos mal informados e pouco perspicazes confundem a reencarnação espírita com as de algumas doutrinas da Índia e da Antigüidade, inclusive com a Metempsicose dos egípcios e dos pitagóricos. Kardec não tirou essa lei de nenhuma doutrina ou tradição espiritualista. Foram os Espíritos Superiores que lhe revelaram e ele a confirmou através de pesquisas e observações. Das concepções antigas, a que mais se aproxima da espírita é a dos Druidas, ou seja, dos celtas ou gauleses. Veja-se na Revista Espírita o estudo O Espiritismo Entre os Druidas (Revista de Abril de 1858) e consulte-se também o livro de Léon Denis O Gênio Celta e o Mundo Invisível. (N. do Rev.)

Clelie Duplantier

Reflexões. — Conquanto esta comunicação seja moldada nos princípios conhecidos da responsabilidade do passado e da continuidade das relações do Espírito, encerra, entretanto, uma idéia até certo ponto nova e de grande importância.

A distinção que estabelece entre a responsabilidade pelas faltas individuais ou coletivas, da vida privada e da vida pública, dá a razão de alguns fatos, ainda mal compreendidos e mostra, mais precisamente, a solidariedade que liga os seres uns aos outros e as geracões entre si. É assim que, muitas vezes o indivíduo renasce na mesma família, ou os membros de uma família renascem em condições de constituir uma nova com outra posição social, a fim de estreitarem os laços de afeição ou repararem erros comuns.

Por motivos de ordem mais geral, o Espírito renasce, às vezes, no mesmo meio, na mesma nação, na mesma raça, por simpatia ou para continuar, com os elementos já elaborados, os estudos a que se dedicou, aperfeiçoar-se, prosseguir os trabalhos começados que a brevidade da vida ou as circunstâncias não permitiram concluir. A reencarnação no mesmo meio é a causa do caráter distintivo dos povos e das raças. Com o progresso geral, os indivíduos vão, necessariamente, perdendo os caracteres primitivos até que de todo se transformem.

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