Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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Fotografia e Telegrafia do Pensamento

O mesmo que se dá entre o encarnado e o Espírito livre se dá entre este e o médium vidente. Quando se invoca a lembrança de certos fatos da existência de um Espírito, a fotografia desses fatos apresenta-se, e o vidente, cuja situação espiritual é análoga à do Espírito livre, vê com ele e, em certas circunstâncias, vê o que o Espírito não pode ver, da mesma sorte que um desencarnado pode folhear na memória de um encarnado, sem que este tenha disso consciência, e recordar-lhe fatos, de que há muito se haja esquecido. Quanto aos pensamentos abstratos, por isto mesmo que existem, tomam uma forma para impressionar o cérebro, devem agir naturalmente sobre este, de algum modo gravar-se nele, e neste caso, como no primeiro, a semelhança, que existe entre os fatos da Terra e do espaço parece perfeita.

O fenômeno da fotografia do pensamento, tendo sido objeto de estudo na Revue, não requer mais que a reprodução de algumas passagens do artigo, em que foi analisado, acompanhadas de novas considerações.

Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este age sobre eles, como o som age sobre o ar, e eles transmitem o pensamento como o ar transmite o som.

Pode-se dizer com inteira verdade que há nos fluidos ondas e raios de pensamentos, que se cruzam, sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros. Ainda mais: o pensamento criando imagens fluídicas, reflete-se no invólucro perispiritual, como num espelho, ou como se refletem nos vapores do ar as imagens de objetos terrestres. Ali tomam um corpo e de certo modo se fotografam.

Suponhamos o caso de um homem ter a idéia de matar outro. Por mais impassível que fique o seu corpo material, o fluídico é agitado pelo pensamento criminoso, cujas modalidades e pormenores reproduz. Fluidicamente ele executa o gesto e o ato que teve a idéia de praticar. O pensamento cria a imagem da vítima, e toda a cena se pinta, como na tela, tal qual está no seu Espírito. É assim que repercutem no invólucro fluídico os mais secretos movimentos da alma, e que esta pode ler em outra, como num livro, vendo aí o que não é perceptível aos olhos do corpo. Estes vêem as impressões internas, que se refletem na fisionomia: a cólera, a alegria, a tristeza; a alma vê porém pensamentos, que se não traduzem externamente.

Entretanto, se lhe é dado conhecer a intenção e prever-lhe as conseqüências, a alma não pode determinar o momento, em que tais conseqüências se darão, nem precisar minúcias ou mesmo afirmar que se darão, porque podem sobrevir circunstâncias que modifiquem o plano e a disposição. Ela não pode ver o que ainda não está no pensamento, mas somente as preocupações momentâneas ou habituais do indivíduo, os seus desejos, projetos e intenções boas ou más; assim se explica o erro nas previsões de alguns videntes.

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