Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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Introdução ao Estudo da Fotografia e da Telegrafia do Pensamento

O fluido cósmico, posto que emanado de uma fonte universal individualiza-se, por assim dizer, em cada ser, e adquire propriedades características, que permitem distingui-lo entre todos. A própria morte não apaga aqueles caracteres de individualização, que persistem por longos anos, depois da cessação da vida, do que temos tido as provas.

Cada ser tem o fluido próprio, que o envolve e acompanha em todos os seus movimentos, como a atmosfera envolve e acompanha cada planeta. A irradiação dessas atmosferas individuais é variável, quanto à extensão; no estado de repouso completo do Espírito, pode ser de alguns passos; mas, agindo à vontade, pode estender-se indefinidamente. A vontade parece dilatar aquele fluido, como o calor dilata os gases.

As diferentes atmosferas individuais encontram-se, cruzam-se, misturam-se, sem contudo se confundir; absolutamente como as ondas sonoras, que são distintas, apesar da multidão de sons que abalam simultaneamente o ar. Pode-se dizer que cada indivíduo é o centro de uma onda fluídica, cuja irradiação está na razão direta da força volitiva, como cada ponto vibrante é o centro de uma onda sonora, cuja extensão é proporcional à força vibratória. A vontade é a força propulsora do fluido, como o choque é a causa vibratória do ar e propulsora das ondas sonoras.

Das qualidades particulares de cada fluido resulta, entre eles, uma espécie de harmonia ou de desacordo, uma tendência a unirem-se ou a evitarem-se, uma atração ou repulsão, em uma palavra, as simpatias ou antipatias, que se sentem, sem causas conhecidas.

Entrando-se na esfera da atividade de um indivíduo, sente-se uma impressão agradável ou desagradável, segundo os seus fluidos se casam ou se repelem. Se nos achamos no meio de pessoas, de cujos sentimentos não compartilhamos e cujos fluidos não se harmonizam com o nosso, sentimos uma reação penosa e ali representamos a nota dissonante em um concerto. Se, pelo contrário, muitos indivíduos reunidos participam das mesmas vistas e intenções, os sentimentos de cada um exaltam-se, na proporção das volições e dos pensamentos dominantes.

Quem não conhece a força de atração, que nasce das aglomerações, onde há homogeneidade de idéias e de vontades? Mal podemos calcular a quantas influências somos de tal modo submetidos, malgrado nosso. Essas influências ocultas não poderiam ser a causa provocadora de determinados pensamentos, de pensamentos que nos são comuns, instantaneamente, com os de certas pessoas, desses vagos pressentimentos, que nos levam a dizer que alguma coisa há no ar, pressagiando tal ou qual acontecimento? Enfim, não serão efeitos da reação do meio fluídico, em que nos achamos, dos eflúvios simpáticos ou antipáticos que recebemos, que nos envolvem, como as sensações indefiníveis de bem ou mal-estar, de alegria ou de tristeza?

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