Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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VII. Da Obsessão e da Possessão

Cumpre-nos sobretudo pedirmos-lhe a necessária força para vencer as más inclinações, muito piores do que os maus Espíritos, pois que são elas que os atraem como a carniça atrai os abutres. Orar também pelo Espírito obsessor é pagar-lhe mal por bem e mostrar-se melhor do que ele, revelando-se superioridade. Com perseverança, acaba-se quase sempre por trazer o mau Espírito a melhores sentimentos e por fazer do perseguidor um Espírito agradecido.

Em resumo: a súplica fervente e a seriedade dos esforços para melhorar são os únicos meios de afastar os maus Espíritos que reconhecem por mestres os que praticam o bem, ao passo que as fórmulas os fazem rir e provocam-lhes a cólera e a impaciência. É preciso cansá-los, mostrando-nos mais pacientes do que eles.

Algumas vezes acontece que a subjugação aumenta ao ponto de paralisar a vontade do obsedado e de se não poder esperar da parte deste nenhum concurso sério. É nestes casos, sobretudo, que se torna mais séria a intervenção de terceiros, tanto por meio da prece, como pela ação magnética; a força porém desta intervenção depende do ascendente moral, que possam exercer sobre os obsessores os que vierem em auxílio dos obsedados; porque se não valerem mais que aqueles, a sua ação será estéril.

A ação magnética, em casos dessa natureza, tem por fim mudar o fluido do obsedado por outro melhor e separar o do mau Espírito. O magnetizador deve ter o duplo fim de opor força moral, e produzir no paciente uma espécie de reação química, servindo-nos de uma comparação material, expelindo, por meio de um fluido, outro fluido. Assim, não somente ele consegue um deslocamento salutar, como ainda pode dar força aos órgãos enfraquecidos por uma longa e, muitas vezes, vigorosa compressão.

Compreende-se aliás que o poder da ação fluídica está na razão não só da energia da vontade, como principalmente na qualidade do fluido desenvolvido e, segundo temos dito, esta qualidade depende da instrução e das qualidades morais do magnetizador. Daí se conclui que um magnetizador comum, agindo maquinalmente, pura e simplesmente para magnetizar, pouco ou nenhum efeito produz. É indispensável um magnetizador espírita, que aja com conhecimento de causa e com intenção, não de produzir o sonambulismo ou a cura orgânica, mas de obter os efeitos, que acabamos de descrever.

É além disso evidente que uma ação magnética, dirigida neste sentido, só pode trazer vantagens no caso de uma obsessão ordinária, porque então, se o magnetizador é auxiliado pela vontade do obsedado, o Espírito conta dois, em vez de um só adversário.

É preciso notar que muitas vezes se atribuem aos Espíritos maléficos de que não são causa; uns estados mórbidos e outras aberrações, que se atribuem a motivos ocultos, são devidos simplesmente ao Espírito do próprio indivíduo. As contrariedades, que se concentram, os pesares causados por amor principalmente, dão ensejo a atos excêntricos; seria erro levá-los à conta de obsessões. Pode muitas vezes ser-se obsessor de si próprio.

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