Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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VI. Dos Médiuns

44. Médiuns falantes. Os médiuns auditivos, simples transmissores do que ouvem, não são propriamente médiuns falantes. Esses muitas vezes nada ouvem; os Espíritos atuam sobre os órgãos da palavra, como sobre a mão do médium escrevente. O Espírito, desejando comunicar-se, serve-se do órgão mais flexível: a um toma-lhe a mão, a outro a palavra, a um terceiro o ouvido.

O médium falante não tem geralmente consciência do que diz, e muitas vezes diz o que está fora do círculo das suas idéias, dos seus conhecimentos e até da sua capacidade intelectual. Têm-se visto pessoas incultas e de vulgar inteligência exprimirem-se com verdadeira eloqüência e tratarem, com incontestável superioridade, questões acerca das quais seriam incapazes, quando em estado normal, de emitir opinião.

O médium falante, conquanto funcione perfeitamente desperto, raras vezes guarda memória do que disse. A sua passividade porém nem sempre é completa. Alguns têm a intuição do que dizem no mesmo momento em que falam. A palavra destes médiuns é o instrumento de que se serve o Espírito, com quem uma pessoa estranha quer entrar em comunicação, como faria por intermédio de um auditivo. Há, entre o médium auditivo e o falante, a seguinte diferença: o primeiro fala voluntariamente, repetindo o que ouve; o segundo fala involuntariamente.

45. Médiuns videntes. Dá-se este nome às pessoas que, no normal e perfeitamente acordadas, gozam a faculdade de ver Espíritos. A possibilidade de vê-los em sonho revela sem dúvida uma espécie de mediunidade, mas não caracteriza, propriamente falando, o médium vidente.

No capítulo das Visões e aparições de O Livro dos Médiuns, explicamos a teoria desses fenômenos. As aparições acidentais de pessoas amadas ou conhecidas são muito freqüentes e, conquanto os que têm esse poder sejam considerados médiuns videntes, dá-se mais geralmente o nome àqueles que podem quase sempre ver qualquer Espírito. Nesta classe acham-se os que não vêem os Espíritos evocados, dos quais podem fazer minuciosa descrição, narrando os gestos, a expressão da fisionomia, os traços do rosto, os vestidos e até os sentimentos, de que parecem estar animados. Há outros que possuem a faculdade em sentido mais geral e vêem os Espíritos irem e virem e que pode dizer-se tratar de seus negócios. Os médiuns nunca estão sós; têm sempre consigo uma sociedade escolhida, segundo o seu gosto, porquanto podem, à vontade, afastar aqueles que não lhes convêm e atrair aqueles que lhes são simpáticos.

46. Médiuns sonâmbulos. O sonambulismo pode ser considerado uma variedade da faculdade mediúnica; ou, para melhor dizer, são duas espécies de fenômenos que estão sempre reunidos. O sonâmbulo age por influência do seu próprio Espírito; é a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora do círculo de ação dos sentidos; o que ele manifesta é colhido em si mesmo, as idéias são geralmente mais justas que no estado normal, os conhecimentos mais amplos, porque a alma está livre do invólucro material; numa palavra, tem antecipadamente a visão espiritual. O médium, pelo contrário, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e aquilo que diz não vem de si.

Em resumo: o sonâmbulo exprime o próprio pensamento e o médium exprime o pensamento alheio. O Espírito porém, que se comunica por um médium ordinário, pode fazê-lo por um sonâmbulo, tornando-se muitas vezes mais fácil essa comunicação, em razão de se achar a alma desprendida.

Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e descrevem-nos com tanta precisão, como os médiuns videntes; podem conversar com eles e transmitir-nos os pensamentos; o que dizem de superior a seus conhecimentos pessoais lhes é sugerido por Espíritos.

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