Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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VI. Dos Médiuns

38. Nem sempre a vontade do médium é necessária. O Espírito que deseja manifestar-se procura um indivíduo apto para receber-lhe as impressões e serve-se dele muita vez sem que este o perceba. Outras pessoas, ao contrário, conscientes da sua faculdade, podem provocar manifestações. Daí duas categorias de médiuns: os inconscientes e os facultativos. Os primeiros agem por iniciativa dos Espíritos; os segundos por iniciativa própria.(30)

39. Os médiuns facultativos são sempre pessoas, que conhecem mais ou menos os meios de comunicações com os Espíritos, e por isso podem ter vontade de exercer a sua faculdade; os inconscientes, pelo contrário, existem no meio ignorante do Espiritismo e da ação dos Espíritos, mesmo entre incrédulos, servindo de instrumento sem o saberem e sem quererem. Todos os gêneros de fenômenos espíritas podem produzir-se por eles, como há exemplo em todos os tempos e em todos os povos. A ignorância e a incredulidade têm-lhes atribuído um poder sobrenatural, e segundo os tempos e lugares, têm eles sido considerados santos ou feiticeiros, loucos ou visionários. O Espiritismo descobre neles a simples manifestação de uma faculdade natural.

40. Das diversas categorias de médiuns distinguem-se principalmente: os médiuns de efeitos físicos, os sensitivos ou impressionáveis, os auditivos, falantes, videntes, intuitivos, sonâmbulos, curadores, escreventes ou psicográficos, etc. Só descreveremos aqui as mais essenciais, podendo recorrer a O Livro dos Médiuns quem quiser mais completo desenvolvimento.(*)

(*) Para detalhes completos ver O Livro dos Médiuns. (Nota de Kardec)

41. Médiuns de efeitos físicos. São mais particularmente aptos para a produção dos fenômenos materiais, como sejam: o movimento dos corpos inertes, os ruídos, o transporte, a elevação dos objetos, etc. Esses fenômenos podem ser espontâneos ou provocados; mas sempre requerem o concurso voluntário ou involuntário de médiuns dotados dessa faculdade especial. O agente espiritual dessas manifestações é, por via de regra, de ordem inferior. Os Espíritos elevados só se ocupam de manifestações inteligentes e instrutivas.

42. Médiuns sensitivos ou impressionáveis. Dá-se está denominação às pessoas susceptíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, espécie de tremor dos membros, que elas não sabem explicar. Esta faculdade pode adquirir tal sutileza que permita reconhecer, pela natureza da impressão, se o Espírito é bom ou mau, e até a sua individualidade, como o cego reconhece instintivamente a aproximação dessa ou daquela pessoa. Um bom Espírito produz impressão suave e agradável; a de um mau ao contrário é penosa, asfixiante e desagradável, produzindo a sensação de coisas imundas.

43. Médiuns auditivos. Estes ouvem a voz dos Espíritos, às vezes como um som íntimo, que percebem em seu interior; outras vezes como a voz de uma pessoa viva, voz clara, distinta, que vem do exterior. Os médiuns auditivos podem entreter conversa com os Espíritos. Quando estão habituados a comunicar-se com certos e determinados Espíritos, reconhecem-nos imediatamente pela voz.

Quem não é auditivo pode comunicar-se com um Espírito por intermédio de quem o é e lhe transmite as palavras do comunicante.

(30) Generalizaram-se entre nós as designações de médiuns inconscientes e médiuns conscientes. Estes últimos são os que Kardec chama de facultativos, pois podem ou não usar as suas faculdades, embora estejam sujeitos a perturbações quando se recusam. (N. do Rev.)

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