Livro selecionado: "Obras Póstumas "

ÍNDICE

Página Anterior

II. Manifestações Visuais

19. O Espírito, que quer ou pode aparecer, reveste algumas vezes forma ainda mais clara; toma as aparências de um corpo sólido, a ponto de produzir perfeita ilusão, fazendo crer que é um ser corpóreo.

Em alguns casos e em dadas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, isto é, podemos tocar-lhes, apalpá-los, sentir a mesma resistência e o mesmo calor, como se fora um corpo vivo, o que não o priva de desfazer-se com a rapidez do relâmpago. Pode pois acontecer estarmos em presença de um Espírito, conversarmos com ele e ficarmos na ilusão de que estamos tratando com um homem.(21)

20. Qualquer que seja a forma, com que se apresenta um Espírito, ainda mesmo a tangível, ele pode por momentos tornar-se visível somente a algumas pessoas.

(21) Kardec deu a estas entidades o nome de agêneres, que quer dizer não-gerados, como se pode ver em O Livro dos Médiuns. Contam-se por milhões as ocorrências desse tipo de fenômenos em todo o mundo e o livro da Profª Louise Rhine, Os Canais Ocultos da Mente, ou o livro de Tyrrel, As Aparições, obras recentes do campo da Parapsicologia, relatam casos verificados atualmente. Na Revista Espírita Kardec relata vários casos e propõe uma teoria dos agêneres que explica o fenômeno. Neste mundo de imperfeições em que vivemos a perfeição dos agêneres constitui obstáculo para a aceitação da realidade do fenômeno entre cientistas. O mesmo acontece com as materializações completas. Charles Richet, fisiologista francês, Prêmio Nobel de Fisiologia de 1913, conseguiu tomar a pulsação, auscultar o coração e verificar quimicamente a respiração de um Espírito materializado. Os seus adversários disseram que ele havia sido iludido por um trapaceiro, pois não era possível que um Espírito manifestasse esses sintomas da criatura viva. Veja-se o Tratado de Metapsíquica, de Richet. (N. do Rev.)

Em um grupo de homens, pode mostrar-se a muitos ou simplesmente a um; e entre duas pessoas, uma pode vê-lo e tocar-lhe sem que a outra o veja ou lhe perceba a presença. O fenômeno da aparição, a um só dentre muitos que se acham juntos, explica-se pela necessidade, para a sua produção, da combinação do fluido perispirituaI do Espírito com o da pessoa. É preciso, para isso, que haja certa afinidade entre os dois para favorecimento da combinação fluídica.

Se o Espírito não encontra aptidão orgânica necessária, o fenômeno da aparição não pode produzir-se; se houver a aptidão, é livre de aproveitá-la ou não; donde resulta que, se estão juntas duas pessoas dotadas de afinidade, o Espírito pode operar a combinação fluídica comum a uma delas somente, a quem deseja mostrar-se, não o fazendo com a outra, que portanto não o verá. É como se um indivíduo, achando-se diante de dois, que tenham os olhos vendados, só levantasse a venda de um; mas a quem fosse cego, seria inútil tirar-se-lhe a venda, porque nem por isso lhe seria dada a faculdade de ver.

21. As aparições tangíveis são raríssimas; as vaporosas, porém, são freqüentes, principalmente no momento da morte. O Espírito, logo que deixa o corpo, tem pressa de voar para junto dos parentes e amigos, para dar-lhes ciência de que já deixou a Terra e de que continua a viver não obstante. Recorram todos à memoria e reconhecerão inúmeros fatos autênticos desse gênero, que se têm verificado, sem que se pudessem explicar, não somente à noite como também de dia claro, em pleno estado de vigília.(22)

(22) As aparições no momento da morte são hoje objeto de pesquisas parapsicológicas e deram origem a um novo tipo de fenômeno paranormal acrescido ao quadro da fenomenologia científica do gênero: o fenômeno téta, designado simplesmente por essa letra, que é a oitava do alfabeto grego e com a qual se escreve a palavra morte. O Grupo Téta de Pesquisas é dirigido na Duke University, Estados Unidos, pelo prof. Prat, companheiro de Rhine. Este fenômeno foi reconhecido pelos parapsicólogos com a mesma dualidade com que o Espiritismo o apresentou e explicou há mais de um século: é psigama ou subjetivo quando não apresenta características materiais, e é psikapa ou objetivo quando a aparição se torna tangível ou quando, ao invés da aparição, o aviso de morte é dado pela queda de um objeto, o estalido de um relógio que pára exatamente na hora em que a pessoa morreu e assim por diante. Ver Parapsicologia Hoje e Amanhã de J. H. Pires. (N. do Rev.)

Página Anterior

Copyright 2004 - LAKE - Livraria Allan Kardec Editora
(Instituição Filantrópica) Todos os Direitos Reservados