Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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III. Criação

18. Os Espíritos são os agentes do poder divino, constituem a força inteligente da natureza, concorrem para a realização das relações do Criador, no intuito de manter-se a harmonia geral do universo e das leis imutáveis da criação.

19. Para concorrerem, como agentes do poder divino, à obra dos mundos materiais, os Espíritos revestem temporariamente um corpo material. Os Espíritos encarnados constituem a humanidade. A alma do homem é um Espírito encarnado.(9)

20. A vida normal dos Espíritos é a espiritual, que é eterna; a corpórea é transitória e passageira, um verdadeiro instante na eternidade.

21. A encarnação dos Espíritos deriva de lei natural, é uma necessidade, tanto para o seu progresso, como para a realização dos planos de Deus.

Pelo trabalho, função necessária da vida corporal, aperfeiçoam a inteligência e adquirem, observando a lei de Deus, os méritos que lhes proporcionam a eterna felicidade. Resulta do exposto que os Espíritos, concorrendo para a obra geral da criação, trabalham ao mesmo tempo em seu próprio progresso.

22. 0 aperfeiçoamento do Espírito é fruto do seu trabalho, ele o alcança na razão da atividade e boa vontade que emprega para a aquisição das qualidades que lhe faltam.

23. Não podendo o Espírito adquirir em uma única existência corpórea todas as qualidades intelectuais e morais que devem conduzi-lo ao fim para que foi criado, precisa, para conseguir esse fim, de uma série de existências, em cada uma das quais adianta um passo nas vias do progresso e se limpa de algumas imperfeições.

24. Em cada uma dessas existências, o Espírito traz o cabedal adquirido nas anteriores, quer intelectual, quer moralmente; do mesmo modo como traz os germes das imperfeições de que não conseguiu expurgar-se.

25. 0 Espírito, que emprega mal uma existência, não adiantando uma linha no caminho do bem, nenhum proveito colhe e tem de recomeçar o trabalho em condições mais ou menos penosas, em conseqüência de sua negligência e má vontade.

26. Uma vez que o Espírito adquire alguma coisa de bom e se despoja de algo de mau em cada existência corpórea, segue-se que, ao fim de certo número de encarnações, se encontra depurado e chega ao estado de Espírito puro.

27. 0 número de existências corporais é indeterminado e depende da vontade do Espírito no trabalho ativo do aperfeiçoamento moral.

28. No intervalo das existências corporais, o Espírito fica errante e vive a vida espiritual. A erraticidade não tem duração determinada.(10)

29. Os Espíritos, que adquiriram o progresso compatível com o mundo, em que estiveram, deixam-no para se encarnarem em outro mais adiantado, onde adquirem novos conhecimentos, e assim vão fazendo a sua excursão, até chegarem ao ponto de não mais precisarem de um corpo material, vivendo exclusivamente a vida espiritual em que progridem ainda noutro sentido e por outros meios.

Desde que chegam ao ponto culminante do progresso, gozam da suprema felicidade. São admitidos aos conselhos do Onipotente, cujo pensamento recebem, e constituem-se seus diretos ministros e mensageiros para o governo dos mundos, tendo sob as ordens Espíritos de variados graus de adiantamento.(11)

(9) A palavra alma, no Espiritismo, quer dizer espírito encarnado. O homem tem uma alma, que é o seu espírito animando o corpo. Mas a alma liberta do corpo é espírito. Ver a explicação do problema na introdução de O Livro dos Espíritos. (N. do Rev.)

(10) Os Espíritos errantes são os que ainda não se fixaram no plano espiritual, estando sujeitos à reencarnação. A expressão errantes não quer dizer que eles estejam perdidos no espaço, mas tão somente que continuam a errar entre a Terra e o Espaço, entre a vida material e a vida espiritual, como a alma viajora da filosofia de Plotino. (N. do Rev.)

(11) Não há possibilidade, como se vê, de se determinar o período de estágio do espírito como desencarnado, nem de se determinar o número de suas encarnações. Quanto à expressão mensageiros encontramos a sua confirmação no apóstolo Paulo, que considera os anjos como mensageiros de Deus e os portadores naturais da revelação. (N. do Rev.)

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