Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "

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Capítulo XXXI

Sobre os Médiuns

X - Todos os homens são médiuns. Todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo. Quer alguns se comuniquem diretamente com ele, graças a uma mediunidade especial, quer outros só o escutem pela voz interna do coração e da mente. Isso pouco importa, pois é sempre o mesmo Espírito familiar que os acompanha.

Chamai-o Espírito, razão, inteligência, será sempre uma voz que responde à vossa alma, dizendo-vos boas palavras. Acontece, porém, que nem sempre as compreendeis. Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que se arrasta e se enreda mais do que avança, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas da razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta para regiões desconhecidas, flama sagrada que inspira o artista e o poeta, idéia divina que eleva o filósofo, impulso que arrebata os indivíduos e os povos, razão que o vulgo não pode compreender mas que eleva o homem e o aproxima de Deus, mais do que nenhuma outra criatura. Entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e o faz realizar os atos mais sublimes. Ouvi pois essa voz interior, esse bom gênio que vos fala sem cessar, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo da guarda que vos estende a mão do alto do céu. Repito, a voz interior que fala ao coração é a dos Espíritos bons. E é desse ponto de vista que todos os homens são médiuns.

Channing

XI - O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis foram fundados sobre a mediunidade. Os caldeus e os assírios possuíam médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia. Ele ouvia a sua voz. Todos os povos tiveram seus médiuns. E as inspirações de Joana D'Arc nada mais eram que a voz dos Espíritos benfeitores que a dirigiam. Esse dom que hoje tanto se expande havia se tornado mais raro nos tempos medievais, mas jamais desapareceu.

Swedenborg e seus adeptos constituíram uma numerosa escola. A França dos últimos séculos, irônica e voltada para uma filosofia que, desejando destruir os abusos da intolerância religiosa asfixiava no ridículo tudo quanto era ideal, a França devia afastar o Espiritismo que não cessava de progredir no Norte. Deus permitira essa luta das idéias positivas contra as idéias espiritualistas porque o fanatismo se transformara na arma destas últimas. Hoje, que os progressos da Indústria e das Ciências desenvolveram a arte de bem viver, de tal maneira que as tendências materiais se tornaram dominantes, Deus quer que os espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma. Ele quer que o aperfeiçoamento do homem moral se transforme naquilo que deve ser, isto é, na finalidade e no alvo da vida. O Espírito humano segue sua marcha necessária, semelhante à graduação porque passam todas as coisas no Universo visí humanidade. Ela não se cumprirá ainda nos vossos dias, mas agradecei ao Senhor por assistirdes a essa alvorada bendita.

Pierre Jouty (pai do médium)

XII - Deus me encarregou de sua missão que devo cumprir junto aos crentes favorecidos pelo mediunato.(2) Quanto mais graças eles recebem do alto, mais perigos enfrentam, e esses perigos são tanto maiores quanto provêm dos próprios favores que Deus lhes concede. As faculdades de que gozam os médiuns lhes atraem os elogios dos homens, os cumprimentos e as adulações: eis o seu tropeço. Esses mesmos médiuns que deviam sempre lembrar-se de sua incapacidade anterior, a esquecem. Fazem ainda mais: aquilo que só devem a Deus, atribuem ao seu próprio mérito.

Que acontece com isso? Os Espíritos bons os abandonam e eles se tornam joguete dos maus, não dispondo mais de bússola para se guiarem. Quanto mais se tornam capazes, mais são levados a se atribuírem um mérito que não lhes pertence, até que Deus os castigue retirando-lhes uma faculdade que já então só lhes poderia ser fatal.

Nunca seria demais lembrar-vos de pedir assistência ao vosso anjo da guarda, para que ele vos ajude a estar sempre vigilantes contra o vosso mais cruel inimigo, que é o orgulho, lembrai-vos bem, vós que tendes a felicidade de ser intérpretes entre os Espíritos e os homens, que sem o amparo do nosso divino Mestre seríeis punidos ainda mais severamente, porque fostes mais favorecidos.

Espero que esta comunicação produza os seus frutos e desejo que ela possa ajudar os médiuns a se manterem vigilantes contra o escolho em que poderiam quebrar-se. Esse escolho, como já vos disse, é o orgulho.

Joana D'arc

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