Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "

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Capítulo XIX

Papel do Médium nas Comunicações (continuação)

7. O Espírito do médium influi nas comunicações de outros Espíritos que ele deve transmitir?

— Sim, pois se não há afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências. Mas não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes. É apenas um mau intérprete.

8. É essa a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns?

— Não existe outro motivo. Procuram o intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento. Se não houver simpatia entre eles, o Espírito do médium será um antagonista que lhe oferecerá resistência, tornando-se um intérprete de má vontade e quase sempre infiel. Acontece o mesmo entre vós, quando as idéias de um sábio são transmitidas por um insensato ou uma pessoa de má fé.

9. Concebe-se que seja assim para os médiuns intuitivos, mas não quando se trata de médiuns mecânicos.

— Não compreendeste bem a função do médium. Há uma lei que ainda te escapa. Lembra-te de que, para produzir o movimento de um corpo inerte o Espírito necessita do fluido animalizado do médium, de que se serve, por exemplo, para animar momentaneamente a mesa, fazendo-a obedecer à sua vontade. Pois bem, para uma comunicação inteligente ele necessita também de um intermediário inteligente, e esse intermediário é o Espírito do médium.

9.a. lsto não parece aplicar-se às mesas falantes, pois quando estas e outros objetos inertes, como as pranchetas e as cestas, respondem de maneira inteligente, parece que o Espírito do médium não tem nenhuma participação.

— É um engano. O Espírito pode dar uma vida factícia momentânea a um corpo inerte, mas não à inteligência. Jamais um corpo inerte teve inteligência. É pois o Espírito do médium que recebe o pensamento sem o perceber e o transmite pouco a pouco, com a ajuda de diversos intermediários.(4)

10. Parece resultar dessas explicações que o Espírito do médium não é jamais completamente passivo?

— Ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do Espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.(5)

11. Não há maior garantia de independência no médium mecânico do que no médium intuitivo?

— Sem dúvida, e para algumas comunicações é preferível o médium mecânico. Mas, quando conhecemos as faculdades de um médium intuitivo, isso se torna indiferente, segundo as circunstâncias. Quero dizer que certas comunicações exigem menos precisão.

12. Entre os diferentes sistemas propostos para explicar os fenômenos espíritas há um que pretende estar a verdadeira mediunidade nos corpos inertes, por exemplo, na cesta ou na caixa de papelão que servem de instrumento. O Espírito comunicante se identificaria com o objeto e o tornaria não somente vivo, mas também inteligente, do que resulta a designação de médiuns inertes para os objetos. Que pensas disso?

— Só se tem a dizer o seguinte: se o Espírito transmitisse inteligência à caixa e lhe desse vida, ela escreveria sozinha, sem o concurso do médium. Seria estranho que o homem inteligente virasse máquina e um objeto inerte se tornasse inteligente. É um dos numerosos sistemas surgidos de idéias preconcebidas e que vão caindo diante da experiência e da observação.

(4) A expressão francesa a son insu tem sido traduzida nesta passagem por a seu mau grado, o que não está certo. O Espírito do médium recebe o pensamento e o transmite pelos diversos intermediários ou instrumentos (mesa, cesta etc.) sem perceber exatamente o que faz sob o impulso do comunicante, mas não contra a vontade. (N. do T.)

(5) A passividade do médium é assim uma concordância, determinada pela sua própria vontade. Ele nunca se anula, mas serve de boa vontade ao Espírito comunicante. (N. do T.)

 

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