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Capítulo XIX

Papel do Médium nas Comunicações

Influência do Espírito do Médium - Sistema dos Médiuns Inertes - Aptidão de Certos Médiuns Para Línguas, Música, Desenho, etc. - Dissertação de um Espírito Sobre o Papel dos Médiuns

223. 1. No momento em que exerce a sua faculdade o médium se acha em estado perfeitamente normal?

— Às vezes se acha num estado de crise mais ou menos definido. É isso que o fadiga e é por isso que necessita de repouso. Mas, na maioria das vezes, seu estado não difere muito do normal, sobretudo nos médiuns escreventes.

2. As comunicações escritas ou verbais podem ser também do próprio Espírito do médium?

— A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra então as suas qualidades de Espírito. Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem chamadas. Porque é bom saberes que entre os Espíritos que evocas há os que estão encarnados na Terra. Nesses casos eles te falam como Espíritos e não como homens. Por que o médium não poderia fazer o mesmo?(1)

2.a. Esta explicação não parece confirmar a opinião dos que acreditam que todas as comunicações são do Espírito do médium e não de outro Espírito?

— Eles só estão errados por entenderem que tudo é assim: porque é certo que o Espírito do médium pode agir por si, mas isso não é razão para que outros Espíritos não pudessem agir também por seu intermédio.(2)

3. Como distinguir se o Espírito que responde é o médium ou se é outro Espírito?

— Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. É sobretudo no estado sonambúlico ou de êxtase que o Espírito do médium se manifesta, pois então se acha mais livre. No estado normal é mais difícil. Há respostas, aliás, que não lhe podem ser atribuídas. Por isso é que te digo para observar e estudar.

Observação - Quando uma pessoa nos fala, facilmente distinguimos o que é dela e o de que ela apenas se faz eco. Acontece o mesmo com os médiuns.

4. Desde que o Espírito do médium pode adquirir, em existências anteriores, conhecimentos que esqueceu no seu corpo atual, mas dos quais se lembra como Espírito, não pode ele tirar do fundo de si mesmo as idéias que parecem ultrapassar o alcance de sua instrução?

— Isso acontece muitas vezes nos casos de crise sonambúlica ou extática, mas ainda assim existem circunstâncias que não permitem a dúvida: estuda longamente e medita.

5. As comunicações do Espírito do médium são sempre inferiores às que pudessem ser dadas por outros Espíritos?

— Sempre, não, pois o Espírito comunicante pode ser de uma ordem inferior à do médium e nesse caso falará com menos sensatez. Vê-se isso no sonambulismo, pois sendo o Espírito do sonâmbulo o que freqüentemente se manifesta, no entanto diz algumas vezes coisas muito boas.

6. O Espírito comunicante transmite diretamente o seu pensamento ou tem como intermediário o Espírito do médium?

— O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os Espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância, e na ponta do fio uma pessoa inteligente que a receba e comunique.(3)

(1) Ver as evocações de Espíritos de vivos na Revista Espírita, feitas por Kardec para pesquisas. Mas o Espírito aqui se refere a evocações de Espíritos já reencarnados, sem que Kardec o soubesse. (N. do T.)

(2) Esse erro de exclusivismo é o mesmo que hoje praticam os parapsicólogos antiespíritas, que pensam haver descoberto a pólvora ao afirmar: "Não há Espíritos, pois tudo vem da mente do médium!" O Espiritismo, como se vê, conhece desde o seu início os dois fenômenos: o anímico, de manifestação da alma do médium, e o espírita, de manifestação de um Espírito desencarnado. Jamais o Espiritismo cometeu o erro do exclusivismo oposto, ou seja, de afirmar que as comunicações são apenas de Espíritos desencarnados. Veja-se a Revista Espírita, o livro de Aksakoff Animismo e Espiritismo e os livros de Ernesto Bozzano Animismo ou Espiritismo e Comunicações Mediúnicas Entre Vivos. (N. do T.)

(3) O papel do médium nas comunicações é sempre ativo. Seja o médium consciente ou inconsciente, intuitivo ou mecânico, dele sempre depende a transmissão e sua pureza. Essa condição explicaria muitas dificuldades que os observadores apressados atribuem a intuitos de mistificação, caso tivessem a prudência científica necessária para uma análise mais profunda do problema mediúnico. A mediunidade, como se vê, é mais complexa e sutil do que o supõem os críticos e negadores sistemáticos. (N. do T.)

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