Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "
ÍNDICE
Página Anterior
Próxima Página
Capítulo XVI
Variedades de Médiuns Escreventes (continuação)
Médiuns literários - Não têm o tom vago dos médiuns poéticos nem o terra-a-terra dos médiuns positivos, mas dissertam com sagacidade. Seu estilo é correto, elegante e freqüentemente de notável eloqüência.
Médiuns incorretos - Podem obter comunicações muito boas, pensamentos de elevada moralidade, mas seu estilo é difuso, incorreto, sobrecarregado de repetições e termos impróprios.
A incorreção material do estilo decorre geralmente da falta de cultura intelectual do médium, que não serve de bom instrumento para o Espírito nesse sentido. Mas o Espírito liga pouca importância a isso, porque para ele o pensamento é o essencial e vos deixa livres de lhe dar a forma conveniente. Já não se dá o mesmo com as idéias falsas e ilógicas de uma comunicação, que são sempre um indício de inferioridade do Espírito manifestante.
Médiuns historiadores - Os que têm aptidão especial para as dissertações históricas. Essa faculdade, como todas as outras, independe dos conhecimentos do médium, pois há pessoas sem instrução, e até mesmo crianças, que tratam de assuntos muito além do seu alcance. Variedade rara de médiuns positivos.(14)
Médiuns científicos - Não dizemos sábios, porque podem ser até muito ignorantes mas apesar disso são especialmente aptos a receber comunicações relativas às Ciências.
Médiuns medicinais - Sua especialidade é a de servirem mais facilmente aos Espíritos que fazem prescrições médicas. Não se deve confundi-los com os médiuns curadores, porque nada mais fazem do que transmitir o pensamento do Espírito, e não exercem por si mesmos nenhuma influência. Muito comuns.
Médiuns religiosos - Recebem mais especialmente comunicações de caráter religioso ou que tratam de questões relativas à religião, sem embargo de suas crenças e de seus costumes.
Médiuns filósofos e moralistas - Suas comunicações tratam geralmente de questões de moral ou de alta Filosofia. Muito comuns para as questões morais.
Todas essas classes constituem diversidade de aptidões dos bons médiuns. Quanto aos que têm aptidões especiais para certas comunicações científicas, históricas, médicas e outras, acima do seu alcance atual, podeis estar certos de que possuíram esses conhecimentos em outra existência e os conservam em estado latente, fazendo parte, assim, dos elementos cerebrais necessários à comunicação do Espírito. São esses elementos que facilitam ao Espírito a transmissão de suas idéias, de maneira que esses médiuns são para ele instrumentos mais inteligentes e maleáveis do que o seria um ignorante. - ERASTO.
Médiuns de comunicações triviais e obscenas
— Estas palavras indicam o gênero de comunicações que certos médiuns recebem habitualmente, e a natureza dos Espíritos que as transmitem. Quem tiver estudado o mundo espírita em todos os seus graus, sabe que há Espíritos cuja perversidade se iguala à dos homens mais depravados, e que se comprazem na tradução de seus pensamentos pelas mais grosseiras palavras. Outros, menos abjetos, contentam-se com expressões triviais. Compreende-se que esses médiuns devem ter o desejo de livrar-se da preferência de tais Espíritos, invejando os que recebem comunicações que jamais trouxeram uma palavra inconveniente. Só por uma estranha aberração mental e falta de bom senso se poderia crer que semelhante linguagem pudesse provir dos Espíritos bons.(15)
(14) Numerosos exemplos se encontram na Revista Espírita. A bibliografia mediúnica mundial apresenta também numerosos casos. Entre nós, Francisco Cândido Xavier é o exemplo por excelência. Quanto ao caso dos médiuns crianças é bom lembrar que o próprio O Livro dos Espíritos foi escrito com o auxílio de duas adolescentes, Julie e Caroline Boudin, respectivamente de 14 e 16 anos, ambas de desenvolvimento mental e cultura muito aquém dos assuntos tratados naquela obra. As explicações parapsicológicas que atualmente se pretende, de má fé, opor à importância desse fato são insuficientes para justificar os diversos aspectos do problema. (N. do T.)
(15) Essa aberração existiu no tempo de Kardec e ainda persiste, dada a natureza inferior do nosso mundo. Há pessoas que aceitam essas comunicações como provas a que seus guias as submetem. Essa a razão de Kardec se referir ao problema. (N. do T.)
Página Anterior - Próxima Página
Copyright 2004 - LAKE - Livraria Allan Kardec Editora
(Instituição Filantrópica)
Todos os Direitos Reservados