Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "

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Capítulo XIII

Psicografia (continuação)

156. Algumas pessoas substituem a cesta por uma espécie de mesa em miniatura, feita especialmente, de doze a quinze centímetros de comprimento por cinco a seis de altura, e três pés a um dos quais se adapta um lápis. Os outros dois são arredondados ou munidos de uma bolinha de marfim, para deslizarem facilmente sobre o papel. Outras se servem simplesmente de uma tabuinha de quinze a vinte centímetros quadrados, em forma triangular, oval ou retangular, tendo numa das bordas um furo oblíquo para se enfiar o lápis. Posta no papel para escrever, ela fica apoiada num dos lados. O lado que pousa no papel é às vezes guarnecido de duas bolinhas rolantes para facilitar o movimento. Compreende-se, de resto, que todos esses dispositivos nada têm de absoluto. O mais cômodo é o melhor.

Com qualquer desses aparelhos os operadores devem ser dois, não sendo necessário que ambos sejam médiuns. Um deles serve apenas para ajudar o equilíbrio do aparelho e diminuir a fadiga do médium.

157.À escrita assim obtida chamamos psicografia indireta, em contraste com a psicografia direta ou manual feita pelo próprio médium. Para compreender este sistema é necessário saber como se verifica a operação. O Espírito comunicante age sobre o médium; este, assim influenciado, move maquinalmente o braço e a mão para escrever, não tendo (pelo menos no comum dos casos) a menor consciência do que escreve; a mão age sobre a cesta e esta movimenta o lápis. Assim, não é a cesta que se torna inteligente, mas apenas serve de instrumento a uma inteligência. A cesta nada mais é, praticamente, do que um porta-lápis, um apêndice da mão, um intermediário entre a mão e o lápis. Suprimindo o intermediário e pondo o lápis na mão, temos o mesmo resultado com um mecanismo muito mais simples, desde que o médium passa a escrever como se o fizesse em condições normais.(2)

Dessa maneira, toda pessoa que escreve com a cesta, a prancheta ou outro instrumento, pode também escrever diretamente. De todos os meios de comunicação, a escrita à mão, que alguns chamam de escrita involuntária é sem dúvida a mais simples, mais fácil e mais cômoda, porque não exige nenhuma preparação e se presta, como a escrita comum, às dissertações mais extensas. Voltaremos ao assunto, quando tratarmos dos médiuns.

158. No começo dessas manifestações, quando ainda não se tinham idéias precisas a respeito, muitas publicações foram feitas com indicações assim: comunicações de uma cesta, de uma prancheta, de uma mesa, etc. Compreende-se hoje a insuficiência dessas expressões, o seu erro, sem considerar ainda o seu caráter pouco sério. Com efeito, como já vimos, as mesas, as pranchetas e as cestas não são instrumentos inteligentes, embora momentaneamente animados de uma vida factícia. Nada podem comunicar por si mesmas. Entender o contrário seria tomar o efeito pela causa, o instrumento pelo princípio. Seria o mesmo que um autor quisesse anotar, sobre o título de sua obra, que a escrevera com pena metálica ou pena de pato.

Esses instrumentos, aliás, não são únicos nem exclusivos. Conhecemos alguém que ao invés da cesta-pião usa um funil com um lápis no gargalo. Poderia, pois, haver comunicações de um funil, de uma caçarola ou de uma saladeira. Se elas se dão por meio de pancadas, não de mesa, mas de uma cadeira ou de uma bengala, teríamos cadeira e bengala falantes. Como se vê, o que importa conhecer não é o instrumento, mas a maneira de obtenção das comunicações. Se as obtemos pela escrita, seja qual for o suporte do lápis, trata-se de psicografia; se pelas pancadas, de tiptologia. O Espiritismo, tomando as proporções de uma Ciência, necessita de uma linguagem científica.(3)

(2) A insistência de Kardec nesta explicação tem uma razão especial. É que havia surgido em Paris e era amplamente divulgada na imprensa uma estranha teoria dos médiuns inertes, segundo a qual os objetos eram médiuns. Ver este curioso episódio na Revista Espírita. A psicografia direta foi estudada na Psicologia como escrita automática, e as interpretações anímicas que Pierre Janet e outros lhe deram não invalidam a realidade do fenômeno. Na Parapsicologia, como na Metapsíquica, tem sido utilizada para experiências telepáticas eficazes. (N. do T.)

(3) Esta observação final de Kardec é de grande importância metodológica. A terminologia espírita deve ser empregada com precisão, evitando-se a mistura de termos referentes a escolas espiritualistas diversas. É uma exigência de clareza e eficiência de todas as disciplinas científicas e da qual a Ciência Espírita não prescinde. (N. do T.)

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