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Capítulo VIII

Laboratório do Mundo Invisível (continuação)

9. Se ela abrisse, provavelmente encontraria tabaco, e se o tomasse espirraria?

— Sim.

10. Então o Espírito pode dar não somente a forma do objeto, mas também as suas propriedades especiais?

— Se o quiser. Foi em virtude desse princípio que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Terás provas da ação poderosa que o Espírito exerce sobre a matéria e que estás longe de supor, como já disse.

11. Suponhamos que ele quisesse fazer uma substância venenosa e que uma pessoa a tomasse. Ficaria envenenada?

— O Espírito poderia fazê-la, mas não a faria porque isso não lhe é permitido.

12. Poderia fazer uma substância salutar, apropriada à cura de uma doença, e isso já aconteceu?

— Sim, muitas vezes.

13. Poderia então, da mesma maneira, fazer uma substância alimentar? Suponhamos que fizesse uma fruta ou uma iguaria qualquer. Alguém poderia comê-la e sentir-se saciado?

— Sim, sim. Mas não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Basta um raio de sol para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros as partículas materiais que enchem o espaço no meio do qual vives. Não sabes que o ar contém vapor d'água? Condensa-os e voltarão ao estado normal. Priva-os de calor e verás que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se transformam num corpo sólido e bem sólido. Assim muitas outras substâncias de que os químicos ainda tirarão maravilhas mais espantosas. Mas acontece que o Espírito possui instrumentos mais perfeitos que os vossos: a vontade e a permissão de Deus.

Observação - A questão da saciedade é neste caso muito importante. Como uma substância que só tem existência e propriedades temporárias e de certa maneira convencionais pode produzir a saciedade? Essa substância, em seu contato com o estômago, produz a sensação da saciedade, mas não a saciedade propriamente dita que resulta da plenitude. Se essa substância pode agir na economia orgânica e modificar um estado mórbido, pode também agir sobre o estômago e provocar uma sensação de saciedade. Mas pedimos aos senhores farmacêuticos e donos de restaurantes para não se enciumarem nem pensarem que os Espíritos Ihes venham fazer concorrência. Esses casos são raros, excepcionais, e não dependem jamais da vontade de alguém, pois do contrário todos se alimentariam e curariam de maneira vantajosa.

14. Os objetos que a vontade do Espírito tornou tangíveis poderiam permanecer nesse estado e ser usados?

— Isso poderia acontecer, mas isso não se faz porque é contrário às leis.

15. Todos os Espíritos têm no mesmo grau o poder de produzir objetos tangíveis?

— O certo é que o Espírito, quanto mais elevado, mais facilmente o consegue, mas isso também depende das circunstâncias: os Espíritos inferiores podem ter esse poder.

16. O Espírito tem sempre consciência da maneira pela qual produz as suas roupas ou os objetos que torna aparentes?

— Não. Muitas vezes ajuda a formá-los por uma ação instintiva, que ele mesmo não compreende, se não estiver suficientemente esclarecido para isso.

17. Se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para essas produções, dando a essas coisas uma realidade temporária, com suas propriedades, pode também tirar o necessário para escrever, o que nos daria a chave do fenômeno de escrita direta?

— Afinal, chegaste onde querias!

Observação - Com efeito, era a isso que desejamos chegar com todas as nossas perguntas preliminares. A resposta prova que o Espírito lera o nosso pensamento.

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