Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "
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Capítulo VIII
Laboratório do Mundo Invisível (continuação)
2. A tabaqueira tinha a mesma forma da que ele usava habitualmente e que estava em sua casa. Que era essa tabaqueira nas mãos desse homem?
— Uma aparência. Era para ser notada, como foi, e para que a aparição não fosse tomada por alucinação produzida pelo estado de saúde da vidente. O Espírito queria que a senhora acreditasse na realidade da sua presença e tomou todas as aparências da realidade.
3. Disseste que era uma aparência, mas uma aparência nada tem de real, é como uma ilusão de ótica. Queremos saber se essa tabaqueira era uma imagem irreal ou se havia nela algo de material.
— Certamente. É com a ajuda desse princípio material que o Espírito aparenta vestir-se com roupas semelhantes às que usava quando vivo.
Observação - É evidente que devemos entender a palavra aparência no seu sentido de aspecto, de imitação. A tabaqueira real não estava com o Espírito. A que ele segurava era apenas a sua representação. Era, pois, uma aparência, em relação ao original, embora constituída por um princípio material.
A experiência nos ensina que não devemos tomar sempre ao pé da letra as expressões usadas pelos Espíritos. Interpretando-as segundo as nossas idéias, expomo-nos a grandes decepções. É por isso que precisamos aprofundar o sentido de suas palavras quando apresentam a menor ambigüidade.
Essa recomendação os próprios Espíritos nos fazem constantemente. Sem a explicação que provocamos, a palavra aparência, sempre repetida nos casos semelhantes, poderia ser falsamente interpretada.(3)
4. Seria um desdobramento da matéria inerte? Haveria no mundo invisível uma matéria essencial que revestiria as formas dos objetos que vemos? Numa palavra, esses objetos teriam o seu duplo etéreo no mundo invisível, como os homens são ali representados pelos Espíritos?
— Não é assim que isso se dá. O Espírito dispõe, sobre os elementos materiais dispersos por todo o espaço da vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode concentrar esses elementos pela sua vontade e dar-Ihe a forma aparente que convenha às suas intenções.
Observação - Essa pergunta, como se vê, era a tradução do nosso pensamento, da idéia que havíamos formado sobre a natureza desses objetos. Se as respostas fossem, como pretendem alguns, o reflexo do pensamento do interpelante, teríamos obtido a confirmação da nossa teoria, em vez da teoria contrária.
5. Coloco de novo a questão de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco: as roupas dos Espíritos são alguma coisa?
— Parece-me que a resposta precedente resolve a questão. Não sabes que o próprio perispírito é alguma coisa?
6. Resulta desta explicação que os Espíritos submetem a matéria etérea às transformações que desejam. Assim, por exemplo, no caso da tabaqueira o Espírito não a encontrou feita, mas ele mesmo a produziu, quando dela necessitou, por um ato da sua vontade, e da mesma maneira a desfez. É isso mesmo que se dá com todos os outros objetos, como as roupas, as jóias, etc. ?
— Mas é evidente.
7. Essa tabaqueira foi vista pela senhora como se fosse real. O Espírito poderia torná-la tangível para ela?
— Poderia.
8. Se fosse o caso, a senhora poderia pegá-la, acreditando ter nas mãos uma tabaqueira real?
— Sim.
(2) Posteriormente admitiu-se a escrita direta por meio de lápis e outros instrumentos, mas sem o uso das mãos. Ver as experiências de Zölner com o médium Slade, em Provas Científicas da Sobrevivência. (N. do T.)
(3) Esta observação de Kardec é da maior importância para todos os que se dedicam ao Espiritismo prático. Os Espíritos estão num mundo diferente do nosso e mesmo quando usam a nossa linguagem esta nem sempre corresponde à nossa maneira de ver. Precisamos estar atentos ao que dizem e provocar todos os esclarecimentos que nos parecem necessários. O problema da linguagem dos Espíritos, já levantados por Kardec, requer estudos aprofundados que ainda estão por ser feitos. (N. do T.)
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