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Capítulo VII

Bicorporeidade e Transfiguração (continuação)

Admite-se em princípio que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências. Que por uma modificação das disposições moleculares, pode lhe dar a visibilidade, a tangibilidade e em conseqüência a opacidade. Que o perispírito de uma pessoa viva, fora do corpo pode passar pelas mesmas transformações e que essa mudança de estado se realiza por meio da combinação dos fluidos.

Imaginemos então o perispírito de uma pessoa viva, não fora do corpo, mas irradiando ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo como uma espécie de vapor. Nesse estado ele pode sofrer as mesmas modificações de quando separado. Se perder a transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, velar-se como se estivesse mergulhado num nevoeiro. Poderá mesmo mudar de aspecto, ficar brilhante, de acordo com a vontade ou o poder do Espírito. Outro Espírito, combinando o seu fluido com esse, pode substituir a aparência dessa pessoa, de maneira que o corpo real desapareça, coberto por um envoltório físico exterior cuja aparência poderá variar como o Espírito quiser.

Essa parece ser a verdadeira causa do fenômeno estranho e raro, convém dizer, da transfiguração. Quanto à diferença de peso, explica-se da mesma maneira que a dos corpos inertes. O peso do próprio corpo não varia, porque a sua quantidade de matéria não aumenta, mas o corpo sofre a influência de um agente exterior que pode aumentar-Ihe ou diminuir-Ihe o peso relativo, segundo explicamos nos números 78 e seguintes. É provável, portanto, que a transfiguração na forma de uma criança diminua o peso de maneira proporcional.

124. Concebe-se que o corpo possa tomar uma aparência maior que a sua ou das mesmas dimensões, mas como poderia tornar-se menor, do tamanho de uma criança, como acabamos de dizer? Nesse caso, o corpo real não deveria ultrapassar os limites do corpo aparente? Por isso não dizemos que o fato se tenha verificado, mas quisemos apenas mostrar , referindo-nos à teoria do peso específico, que o peso aparente poderia também diminuir.

Quanto ao fenômeno em si, não afirmamos nem negamos a sua possibilidade. No caso de ocorrer, o fato de não se poder explicá-lo satisfatoriamente não o infirmaria. É preciso não esquecer que estamos no começo desta ciência e que ela ainda está longe de haver dito sua última palavra sobre este ponto, como sobre muitos outros. Aliás, as partes excedentes do corpo poderiam perfeitamente ser tornadas invisíveis.

A teoria do fenômeno da invisibilidade ressalta naturalmente das explicações precedentes e das que se referem ao fenômeno de transportes, nº 96 e seguintes.(6)

125. Teríamos ainda de falar do estranho fenômeno dos agêneres, que por mais extraordinário que possa parecer à primeira vista, não é mais sobrenatural do que os outros. Mas como já o explicamos na Revista Espírita (fevereiro de 1859) achamos inútil repetir aqui os seus detalhes.(7)

Diremos apenas que é uma variedade de aparições tangíveis. É uma condição em que certos Espíritos podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, a ponto de produzir perfeita ilusão. (Do grego: a, privativo, e géine, géinomai, gerado: não-gerado.)(8)

(6) Há numerosos casos de observação de uma máscara transparente sobre o rosto do médium, reproduzindo o rosto do Espírito comunicante. Observamos um desses casos em 1946, em São Paulo, com o médium Urbano de Assis Xavier. Nesses casos, como se vê, acima, a máscara se forma pela combinação fluídica do perispírito do médium com o do Espírito comunicante. É fenômeno de sintonia e não de penetração do Espírito no corpo do médium. (N. do T .)

(7) Como se vê, a teoria dos agêneres se encontra apenas na Revista Espírita, o que ressalta a importância dessa coleção de Kardec, somente agora publicada em nossa língua. (N. do T.)

(8) Estas explicações de Kardec foram posteriormente confirmadas por numerosas experiências científicas e ocorrências espontâneas, em todas as partes do mundo. Nada a não ser hipóteses gratuitas, que caíram sucessivamente por si mesmas, até hoje pôde contradizer as teorias apresentadas neste capítulo. As experiências metapsíquicas, desde as realizadas pelo prof. Karl Friedrik Zölner, da Universidade de Leipzig, na Alemanha,com notável equipe de pesquisadores, até as experiências famosas de Richet, Gustave Geley, Eugene Osty, Paul Gibier, na França, explicam-se por estas teorias. Recentemente, no campo das pesquisas parapsicológicas, mais restritas e cautelosas, a confirmação vem se fazendo da mesma maneira. As experiências de Soal e Wathely Carington, na Universidade de Cambridge,lnglaterra, com levitação e voz direta; as de Harry Price, da Universidade de Oxford, com telecinesia (movimento, ocultação e reaparecimento de objetos); os relatos de Louise Rhine, de Duke University, EUA, sobre "alucinações visuais referentes a mortos" e os de Karl Gustav Jung no mesmo sentido provam isso. (N.do T.)

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