Livro selecionado: "O Livro dos Médiuns "
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Capítulo V
O Fenômeno de Transporte (continuação)
9. Podereis transportar flores de outro hemisfério; dos trópicos por exemplo?
— Desde que seja da Terra, posso.
10. Os objetos que trouxeste podereis fazê-Ios desaparecer e devolvê-los?
— Tão bem como os trouxe; posso devolvê-los, se quiser.
11. A produção do fenômeno de transporte não te exige um sacrifício, não te causa dificuldades?
— Não nos causa nenhuma dificuldade quando temos a devida permissão. Poderia causar-nos muitas se quiséssemos produzi-los sem estar autorizados.
Nota de Erasto - Ele não quer dizer que é penosa embora o seja, pois é forçado a realizar uma operação por assim dizer material.
12. Quais as dificuldades que encontras?
— Nenhuma além das más disposições fluídicas, que podem ser contrárias.
13. Como trazes o objeto? Carregando-o com as mãos?
— Não; envolvo-o em mim mesmo.
Nota de Erasto - Ele não explica claramente a sua operação, pois na verdade não envolve o objeto na sua pessoa. Como o seu fluido pessoal pode dilatar-se, é penetrável e expansível, ele combina uma porção desse fluido com uma porção do fluido animalizado do médium, e é nessa mistura que oculta e transporta o objeto. Não é certo dizer, portanto, que o envolve nele mesmo.
14. Transportarias com mesma facilidade um objeto mais pesado: de cinqüenta quilos, por exemplo?
— O peso nada é para nós. Trago flores porque elas podem ser mais agradáveis que um objeto volumoso.
Nota de Erasto - É certo. Ele pode transportar cem ou duzentos quilos de objetos, porque a gravidade que existe para vós não existe para ele. Mas neste caso também ele não percebe o que se passa. A massa de fluidos combinados é proporcional à massa de objetos. Numa palavra: a força deve estar na proporção da resistência. Assim, se o Espírito só transporta uma flor ou um objeto leve, é freqüentemente por não encontrar no médium ou nele mesmo os elementos necessários para um maior esforço.
15. Alguns casos de desaparecimento de objetos, por motivo ignorado, serão devidos aos Espíritos?
— Isso acontece com freqüência, muito mais freqüentemente do que pensais, e poderia ser remediado pedindo-se ao Espírito a devolução do objeto.
Nota de Erasto - É verdade, mas às vezes o que foi levado, levado está. Porque esses objetos que somem da casa são quase sempre levados para muito longe. Mas, como a subtração de objetos exige quase as mesmas condições fluídicas dos transportes, só pode se dar com a ajuda de médiuns dotados de faculdades especiais. Por isso, quando alguma coisa desaparecer, é mais provável que se deva ao vosso descuido que à ação dos Espíritos.
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