Livro selecionado: "O Livro dos Espíritos"

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Capítulo X

Ocupações e Missões dos Espíritos (continuação)

567. Os Espíritos se imiscuem algumas vezes em nossas ocupações e em nossos prazeres?

— Os Espíritos vulgares, como disseste, sim; estão incessantemente ao vosso redor e tomam parte às vezes bastante ativa naquilo que fazeis, segundo a sua natureza. E é bom que o façam, para impulsionar os homens nos diferentes caminhos da vida, excitar ou moderar as suas paixões.

Os Espíritos se ocupam das coisas deste mundo na razão da sua elevação ou da sua inferioridade. Os Espíritos superiores têm, sem dúvida, a faculdade de as considerar nos seus mínimos aspectos, mas não o fazem senão na medida em que isso seja útil ao progresso. Os Espíritos inferiores somente ligam a essas coisas uma importância relativa às lembranças que ainda estão presentes em sua memória, e às idéias materiais que ainda não foram extintas.

568. Os Espíritos que têm missões a cumprir cumprem-nas em estado errante ou encarnado?

— Podem fazê-lo num e noutro estado. Para certos Espíritos errantes essa é uma grande ocupação.

569. Em que consistem as missões de que podem ser encarregados os Espíritos errantes?

— São tão variadas que seria impossível descrevê-las; existem, aliás, as que não poderíeis compreender. Os Espíritos executam a vontade de Deus e não podeis penetrar todos os seus desígnios.

As missões dos Espíritos têm sempre o bem por objeto. Seja como Espírito, seja como homens, são encarregados de ajudar o progresso da humanidade, dos povos, ou dos indivíduos num círculo de idéias mais ou menos largo, mais ou menos especial, de preparar as vias para certos acontecimentos, de velar pela realização de certas coisas. Alguns têm missões mais restritas e de certa maneira pessoais ou inteiramente locais, como de assistir os doentes, os agonizantes, os aflitos, de velar pelos que estão sob a sua proteção de guias, de dirigi-los pelos seus conselhos ou pelos bons pensamentos que lhes sugerem. Pode-se dizer que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interesses a resguardar, seja no mundo físico ou no mundo moral. O Espírito se adianta segundo a maneira por que desempenha a sua tarefa.

570. Os Espíritos compreendem sempre os desígnios que estão encarregados de executar?

— Não; há os que são instrumentos cegos, mas outros sabem muito bem com que objetivo agem.

571. Só há Espíritos elevados no cumprimento de missões?

— A importância das missões está em relação com a capacidade e a elevação do Espírito. O estafeta que leva um despacho cumpre também uma missão, que não é a do general.

572. A missão de um Espírito lhe é imposta ou depende de sua vontade?

— Ele a pede e alegra-se de a obter.

572-a. A mesma missão pode ser pedida por muitos Espíritos?

— Sim, há sempre muitos candidatos, mas nem todos são aceitos.

573. Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

— Instruir os homens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições por meios diretos e materiais. Mas as missões são mais ou menos gerais e importantes. Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. Tudo se encadeia na Natureza; ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, também concorre por essa forma para o cumprimento dos desígnios da Providência. Cada um tem a sua missão neste mundo, porque cada um pode ser útil em algum sentido.

574. Qual pode ser a missão de pessoas voluntariamente inúteis na Terra?

— Há efetivamente pessoas que só vivem para si mesmas e não sabem tornar-se úteis para nada. São pobres seres que devemos lamentar, porque expiarão cruelmente sua inutilidade voluntária. Seu castigo começa freqüentemente desde este mundo, pelo tédio e o desgosto da vida.

574-a Pois se tinham o direito de escolha, por que preferiram uma vida que em nada lhes poderia aproveitar?

— Entre os Espíritos há também os preguiçosos que recuam diante de uma vida de trabalho. Deus os deixa fazer; compreenderão mais tarde e à sua própria custa os inconvenientes de sua inutilidade e serão os primeiros a pedir para reparar o tempo perdido. Talvez, também, tenham escolhido uma vida mais útil, mas uma vez em ação a recusaram, deixando-se arrastar pelas sugestões dos Espíritos que os incitavam à ociosidade.

575. As ocupações comuns nos parecem antes deveres que missões propriamente ditas. A missão, segundo a idéia ligada a essa palavra, tem um sentido de importância menos exclusivo e sobretudo menos pessoal. Desse ponto de vista, como se pode reconhecer que um homem tem uma missão real na Terra?

— Pelas grandes coisas que ele realiza, pelo progresso que faz os seus semelhantes realizarem.

576. Os homens que têm uma missão importante são predestinados a ela antes do nascimento e têm conhecimento disso?

— Às vezes, sim, mas na maioria das vezes o ignoram. Só têm um vago objetivo ao virem para a Terra; sua missão se desenha após o nascimento e segundo as circunstâncias. Deus os impulsiona pela via em que devem cumprir os seus desígnios.

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