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Credo Espírita. Preâmbulo

Os males da humanidade vêm da imperfeição dos homens; é pelos seus vícios que prejudicam uns aos outros. Enquanto os homens forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses produzirá incessantemente misérias.

Boas leis contribuem, sem dúvida, para o melhoramento do estado social, mas são impotentes para assegurar a felicidade da humanidade, porque apenas comprimem as más paixões, mas não as aniquilam; são antes repreensivas do que moralizadoras; reprimem atos maus, que se tornam mais salientes, sem lhes destruir as causas. Além disso a bondade das leis está em relação com a bondade dos homens; enquanto estes estiverem dominados pelo orgulho e egoísmo, farão leis, que aproveitem às ambições pessoais.

A lei civil não modifica senão a superfície; a lei moral é que penetra no foro íntimo da consciência e o reforma.

Sendo pois admitido que o atrito causado ao contato dos vícios torna os homens desgraçados, está em seu melhoramento moral o único remédio para seus males. Pois que as imperfeições são a origem dos males, a felicidade aumentará, à medida que diminuírem as imperfeições. Por melhor que seja uma instituição social, se os homens forem maus, hão de falsificá-la e desnaturá-la para que a explorem em seu particular proveito.

Quando os homens forem bons, farão boas instituições que serão duráveis, porque todos têm interesse em sua conservação.

A questão social não tem pois seu ponto de partida na forma desta ou daquela instituição; ela está inteira no melhoramento moral dos indivíduos e das massas. Aí está o princípio, a verdadeira chave da felicidade humana, porque os homens não pensarão mais em fazer o mal uns aos outros. Não basta cobrir de verniz a corrupção; é preciso extirpá-la. O princípio do melhoramento está na natureza das crenças, porque estas são o móvel também nas idéias bebidas desde a infância e identificadas com o espírito, e nas idéias, que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão pode fortificar e não destruir. É pela educação, mais ainda do que pela instrução, que se transformará a humanidade.(135)

O homem, que trabalha seriamente em seu melhoramento, assegura sua felicidade desde esta vida; além da satisfação da sua consciência, está livre das misérias materiais e morais, que são as conseqüências forçadas de suas imperfeições. Terá calma, porque as vicissitudes não o afetarão senão de leve: terá saúde, porque não esgotará o corpo com excessos; será rico, porque o é quem se satisfaz com o necessário; terá a paz da alma, porque não terá necessidades impossíveis: não será atormentado pela sede de honras e do supérfluo, pela febre de ambição, da inveja e do ciúme.

(135) A elaboração da Pedagogia Espírita, em que ora se empenha o grupo da revista Educação Espírita, formado de professores espíritas de todo o país, é o passo mais decisivo para a verdadeira transformação social. A educação é a alavanca que elevará a Terra. (N. do Rev.)

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