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A Vida Futura

A vida futura não é mais um problema, mas um fato racional, demonstrado para a quase unanimidade dos homens visto como os negadores formam insignificante minoria, embora procurem fazer grande ruído.(68) O que escrevemos não é pois para provar essa realidade — o que seria repetir o que todos sabem. Admitida como premissa, o que queremos é examinar a sua influência na ordem social e a moralização que dela resulta, segundo a maneira como a encarem.

As conseqüências do princípio contrário, o niilismo, são geralmente bem conhecidas e bem compreendidas, para que precisemos repisá-las. Apenas diremos que, se se provasse a não existência da vida futura, a vida presente teria por único objetivo a manutenção de um corpo que, amanhã, ou dentro de uma hora, poderia deixar de existir, ficando tudo acabado sem remissão. A conseqüência lógica dessa condição da humanidade seria a concentração dos pensamentos em torno dos meios de fruir gozos materiais, sem atenção a quem quer que seja, porque não seria estulto privar-se de prazeres, impor-se sacrifícios?

Por que haveria de mortificar-se o homem para corrigir defeitos e melhorar-se?

Nada tendo a esperar, seriam inúteis o arrependimento e o remorso. A máxima predominante deveria ser a do egoísmo: o mundo é para o mais forte e para o mais esperto.

Sem a vida futura, a moral não passa de uma violência, de um código de convenções arbitrariamente imposto, sem raízes no coração. Uma sociedade fundada em semelhante crença não teria por sustentáculo senão a força e cairia logo no aniquilamento.

Não procede a objeção de haver, entre os que negam a vida futura, homens honestos, incapazes de fazer mal a seus semelhantes e suscetíveis das maiores dedicações.

Digamos desde já que para a maior parte dos incrédulos a negação do futuro não passa de fanfarronada, de jactância, espécie de orgulho de uns considerados espíritos fortes, baldos completamente de qualquer convicção firme. No foro íntimo da consciência, há uma dúvida, que os importuna e que procuram abafar, aturdindo-os. Não pronunciam o terrível nada sem um certo constrangimento, porque aquilo os priva dos frutos da inteligência e rompe-lhes as mais caras afeições.

Mais de um desses, que falam grosso, tremem ante a idéia do desconhecido e, quando se avizinha o momento fatal de o encarar de frente, bem poucos são os que dormem o último sono com a firme convicção de que não acordarão além, porque a natureza não abdica jamais dos próprios direitos.

Digamos pois que em geral a incredulidade não é absoluta. Queremos dizer: muitos são incrédulos, porque não aceitando a razão, as crenças e os dogmas religiosos, e não tendo com que os substituam para preencher o vácuo, que sentem na alma, propendem para a negação. São incréus, porque não conhecem outra solução para o problema. Incréus absolutos são raros, se os há.

Uma intuição latente e inconsciente do futuro pode pois suster certo número nos declives para o mal, e poder-se-ia citar grande quantidade de atos, mesmo da parte dos mais endurecidos, que dariam testemunho daquele sentimento secreto, que os domina a contragosto.

(68) Além da comprovação racional e do testemunho quase unânime dos homens existem hoje as comprovações científicas, obtidas pelos métodos de investigação objetiva. A alma tornou-se objeto de experimentações em laboratório: primeiramente na Psicologia Experimental, depois na Psicologia Profunda e afinal na Parapsicologia. Antes desta, porém, houve a série de importantes pesquisas da Metapsíquica. Além disso, a própria evolução das Ciências, em todos os setores, e particularmente na Física, já superou o estágio materialista (e portanto superficial) dos conhecimentos da Terra. No momento em que se constata a existência da antimatéria e do antiuniverso (Ver O Universo, de Isaac Asimov, Edições Bloch, Rio, 1969) e em que a reencarnação se transforma em problema de pesquisa científica (Ver Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação, de Ian Stevenson, Difusora Cultural, S. Paulo, 1971) é evidente o reconhecimento da verdade espírita. (N. do Rev.)

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