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ÍNDICE

As Cinco Alternativas da Humanidade

Bem poucos são aqueles que não cuidam do dia de amanhã. Se inquieta o que possa vir depois de um dia de vinte e quatro horas, com sobrada razão deve preocupar o que será depois do grande dia da vida, porque não se trata de alguns instantes, mas da eternidade.

Viveremos ou não depois daquele dia? Não há que fugir; é questão de vida ou de morte, é a suprema alternativa!...(61)

Se se interroga o senso íntimo da quase universalidade dos homens, todos responderão: "viveremos".

Esta esperança é para eles uma consolação. Entretanto, esforça-se uma pequena parte, sobretudo depois de algum tempo, por provar que não viveremos. Esta escola faz prosélitos, força é confessá-lo e principalmente no seio daqueles que, temendo a responsabilidade do futuro, acham mais cômodo gozar do presente, sem constrangimento, sem se perturbar com a perspectiva das conseqüências. Não passa porém isto de opinião de um pequeno número.(62)

Se vivermos, como havemos de viver? Em que condições viveremos? Aqui os sistemas variam, segundo as crenças religiosas e filosóficas. Entretanto, todas as opiniões sobre o futuro dos homens podem ser reduzidas a cinco alternativas principais, que vamos, sumariamente, analisar, a fim de ser mais fácil a comparação e cada um escolher aquela que lhe parecer mais racional e melhor corresponder às suas aspirações pessoais e às necessidades da sociedade.

As cinco alternativas são aquelas que resultam das doutrinas do materialismo, do panteísmo, do deísmo, do dogmatismo e do Espiritismo.

(61) Apesar de todas as inovações culturais e avanços científicos verificados depois de Kardec até os nossos dias, a tese das cinco alternativas não foi alterada. Mudaram-se alguns rótulos, mas as posições continuam as mesmas: materialismo, panteísmo, deísmo, dogmatismo ou espiritismo. Nesta última incluem-se as grandes doutrinas reencarnacionistas já existentes no tempo de Kardec e escolas que surgiram posteriormente, inspiradas nos princípios espíritas, como os vários ramos teosóficos. (N. do Rev.)

(62) Hoje a expressão de Kardec: pequena minoria parece inadequada. O materialismo expandiu-se como ideologia política e domina mais de metade do globo. Por outro lado, a generalização de Kardec sobre a irresponsabilidade e o comodismo dos materialistas não se justifica, diante das lutas e dos sacrifícios destes para a implantação de uma nova ordem social no mundo. Há mesmo, como assinala Annie Besant em suas memórias, inegável abnegação de parte daqueles que estoicamente se sacrificam, sem nada esperar após a morte, pela construção de um mundo melhor para as gerações futuras. Mas, apesar disso, a ambição e o imediatismo solapam os movimentos ideológicos do materialismo e ameaçam destruir as suas conquistas logo após as primeiras vitórias. Kardec, embora não tivesse podido examinar a fundo o problema, percebeu a fragilidade dessa posição, motivada por um desvio de visão da natureza espiritual do homem. Por outro lado, a maioria numérica não corresponde à realidade ideológica. Mesmo nos países dominados pelo materialismo a grande maioria continua espiritualista. (N. do Rev.)

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