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Introdução ao Estudo da Fotografia e da Telegrafia do Pensamento

A ação fisiológica de indivíduo a indivíduo, com contacto ou sem ele, é um fato incontestável. Não se pode, evidentemente, exercê-la senão por intermédio de um agente, cujo reservatório é o nosso corpo, sendo os olhos e os dedos os principais órgãos de emissão e direção.

Esse agente invisível é necessariamente um fluido. Mas qual é a sua natureza? Qual a sua essência? Quais as suas propriedades íntimas? Será um fluido especial ou uma modificação da eletricidade ou de outro fluido conhecido? Será o que se designa pelo nome de fluido nervoso? Não será antes o que chamamos fluido cósmico, quando espalhado na atmosfera, o perispiritual, quando individualizado?

Esta questão é ademais secundária. O fluido perispiritual é imponderável, como a luz, a eletricidade e o calórico. Invisível para nós no estado normal, ele só se revela pelos efeitos; torna-se porém visível no estado de sonambulismo lúcido e até no de vigília, para as pessoas dotadas de dupla vista. No estado de emissão, apresenta-se sob a forma de feixes luminosos, muito semelhantes à luz elétrica difusa no espaço. É esta a sua única analogia com este fluido, pois que não produz, pelo menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos, que conhecemos. No estado ordinário, reflete cores diversas segundo os indivíduos; às vezes, o vermelho fraco, em outras, o azul escuro ou pardo, como uma ligeira bruma e na generalidade espalha sobre os corpos vizinhos um colorido amarelo mais ou menos pronunciado.

São idênticos os dizeres dos sonâmbulos e dos videntes acerca da questão, a que teremos de voltar quando tratarmos das qualidades, que dão ao fluido o móvel que lhe imprime o movimento e o adiantamento dos indivíduos, que o emitem.

Nenhum corpo lhe serve de obstáculo, pois que ele a todos atravessa e nenhum se conhece capaz de o isolar. Só a vontade pode dilatar-lhe ou limitar-lhe a ação. A vontade, com efeito, é a sua mais poderosa influência. Por ela dirigem através do espaço os seus eflúvios, acumulam-nos em um dado ponto, saturam certos objetos, ou os retiram dos pontos onde abundam.

Digamos de passagem que é sobre este princípio que se funda o poder magnético que parece ser o veículo da vista psíquica, como o fluido luminoso é o da vista ordinária.(37)

(37) O problema da fotografia do pensamento está novamente na ordem do dia das investigações científicas. Experiências recentes realizadas nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Rússia mostram que Kardec tinha razão ao tratar deste assunto, sobre o qual, como vemos pelo título deste trabalho, pretendia realizar estudos mais profundos. As pesquisas atuais do Prof. Eisenbud com o médium Ted Serios, nos Estados Unidos, demonstraram cientificamente a possibilidade de fotografar-se o pensamento, e mais do que isso, obter-se, por esse meio, informações de locais ou de acontecimentos que ocorrem à distância. A fotografia do pensamento está assim ligada a outros tipos de fenômenos paranormais, incluindo a telegrafia do pensamento, de que trata Kardec neste livro e no O Livro dos Médiuns, além de suas referências a respeito no O Livro dos Espíritos. As pesquisas de Eisenbud foram objeto de curiosa reportagem publicada pela Revista Internacional de Espiritismo (Matão, 1970) e de conferências e exposição em programas de televisão do Canal 11, em São Paulo (1970) pelo Prof. Flávio Pereira. Há um curioso livro do Prof. Imoda, italiano, intitulado Fotografias de Fantasmas, em colaboração com Richet e Fontenay, sobre experiências de ideoplastias realizadas com a médium Linda Gazzera. As ideoplastias, formas plásticas de pensamentos, constituem elementos valiosos para o estudo científico do processo pelo qual o pensamento (que não é físico) torna-se acessível às impressões físicas e pode impressionar o filme fotográfico. (N. do Rev.)

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