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ÍNDICE

III. Transfiguração. Invisibilidade

22. O perispírito do homem tem as mesmas propriedades que o do Espírito. Como já dissemos, não fica encerrado no corpo; irradia-se e forma em torno dele uma atmosfera fluídica. Ora pode acontecer em outros casos e em circunstâncias especiais que ele sofresse uma transformação análoga à que foi descrita. Nesse caso, a forma material do corpo pode apagar-se sob aquela camada fluídica, se assim nos é permitido dizer, e revestir momentanemente uma aparência muito diferente da real, a de uma outra pessoa, ou a do Espírito, que combina os seus fluidos com o indivíduo, ou mesmo dar a uma fisionomia feia um belo e radiante aspecto. Tal é o fenômeno designado pelo nome de transfiguração, fenômeno assaz freqüente que se produz principalmente quando determinadas circunstâncias provocam uma expansão mais abundante de fluido.

A transfiguração pode processar-se em condições diversas, segundo o grau de pureza do perispírito, sempre correspondente ao da elevação moral do Espírito. Ela pode não passar de uma ligeira modificação da fisionomia, ou chegar ao ponto de dar ao perispírito uma aparência luminosa e esplendorosa.

A forma material pode, por conseguinte, desaparecer sob o fluido perispiritual sem que precise mudar de aspecto, podendo simplesmente envolver o corpo, inerte ou vivo, e torná-lo invisível a um ou a muitos, como se fosse uma camada de vapor. Não nos servimos destas comparações como se houvesse entre os dois termos uma analogia absoluta, antes nos apressamos em declarar que ela não existe.

23. A ignorância das propriedades do fluido perispiritual é o que pode fazer parecer extraordinários os fenômenos. Aquele fluido é para nós um corpo novo com propriedades também novas, que não se pode estudar pelos processos ordinários da ciência; nem por isso deixam de ser propriedades naturais, não tendo de maravilhoso senão a novidade.(23)

(23) O fenômeno de transfiguração aparece nos Evangelhos e nas escrituras sagradas de quase todas as religiões. A explicação espírita foi julgada anticientífica por fazê-lo depender do fluido, conceito que se considerava superado pela Ciência moderna. Atualmente o conceito de fluido voltou a impor-se no campo científico. Já existe mesmo uma ciência chamada Fluídica, embora referente apenas ao campo dos fluidos materiais utilizados como combustível. Na Física nuclear o fluido é substituído pelo conceito de campo de forças, de elétrons livres e assim por diante. Para Dirac os elétrons livres substituiriam o éter da Física anterior, constituindo uma espécie de oceano universal em que os sistemas solares estariam mergulhados. Como Kardec acentua incessantemente, as estranhezas provocadas pela explicação espírita decorriam apenas da ignorância de leis naturais ainda não descobertas pela Ciência. Com as descobertas recentes a Ciência Espírita vem sendo revalidada pelas Ciências que a combateram até agora. (N. do Rev.)

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