Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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II. Manifestações Visuais

16. Por sua natureza e no estado normal, o perispírito é invisível e por este lado se confunde com uma multidão de fluidos, que sabemos existir conquanto não possamos vê-los; entretanto pode, como certos fluidos, sofrer modificações que o tornem perceptível à vista quer seja por uma espécie de condensação, quer por uma alteração na composição molecular. Pode até adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, sem deixar a propriedade de voltar instanta neamente ao seu primitivo estado etéreo e invisível. É comparável esse fenômeno ao do vapor, que passa de invisível, tornando-se líquido ou sólido, e vice-versa.

Esses diferentes estados do perispírito são dependentes da vontade do Espírito e não de causa física exterior, como acontece com o vapor. Quando um Espírito se mostra, é porque colocou o perispírito no estado necessário para tornar-se visível.

A vontade só nem sempre basta, e é preciso, para que o perispírito passe por aquela modificação, um concurso de circunstâncias independentes dele; é mister além disso, que o Espírito tenha a permissão de se tornar visível, o que nem sempre lhe é concedido, ou não o é senão em especiais circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar. (O Livro dos Médiuns, item 132).

Outra propriedade do perispírito, que procede da sua natureza etérea é a penetrabilidade; a matéria não lhe opõe obstáculo e ele a atravessa, como a luz atravessa os corpos transparentes. É por isso que não há fechaduras para os Espíritos, que visitam os prisioneiros reclusos em um cárcere, com a mesma facilidade com que se aproximam de quem está no campo a céu aberto.(19)

17. As manifestações visuais mais comuns dão-se durante o sono, em sonhos; são as visões. As aparições propriamente ditas dão-se no estado de vigília, quando se está no pleno uso da liberdade e das faculdades. Realizam-se geralmente sob a forma vaporosa e diáfana, na maior parte das vezes vaga e indecisa, não passando de uma nuvem esbranquiçada, cujos contornos se desenham lentamente. Noutros casos, as formas são bem acentuadas, distinguindo-se os mínimos traços do rosto, de modo a se poder fazer, com a maior precisão, uma perfeita descrição. Os gestos e o aspecto são semelhantes aos do Espírito, quando encarnado.(20)

(19) A penetrabilidade da matéria, que no tempo de Kardec era dogmaticamente considerada impossível, já não o é em nossos dias. O avanço da Física provou que a densidade da matéria é apenas aparente. Nas pesquisas parapsicológicas a escola de Rhine provou que nenhuma barreira material impede a transmissão do pensamento, o que levou Rhine a afirmar que a mente não é física e o pensamento não é gerado pelo cérebro. Consulte-se Parapsicologia Hoje e Amanhã de J. Herculano Pires. (N. do Rev.)

(20) As visões ocorridas durante o sono tiveram a sua realidade provada pelas pesquisas parapsicológicas. O mesmo acontece com as aparições em estado de vigília. Veja-se a obra acima citada e o livro da profª Louise Rhine, Canais Ocultos da Mente (ou do Espírito na tradução brasileira.) (N. do Rev.)

18. Podendo tomar todas as aparências, o Espírito apresenta-se sob a que melhor pode torná-lo conhecido se esse for o seu desejo; e tanto que, apesar do Espírito não conservar as enfermidades corpóreas, apresenta-se aleijado, coxo, ferido, com cicatrizes, se tanto fôr necessário para provar a sua identidade. O mesmo quanto ao traje; o daqueles, que já nada conservam das misérias da Terra, compõe-se, ordinariamente, de uma túnica de longas pregas flutuantes e cabeleira ondulante e graciosa.

Muitas vezes os Espíritos se apresentam com os predicados característicos da sua elevação com uma auréola e asas, que nos fazem considerá-los como anjos de aspecto luminoso e resplandecente; ao passo que outros se apresentam com os característicos das suas ocupações terrestres; assim o guerreiro poderá aparecer com a sua armadura, o sábio com os seus livros, o assassino com um punhal, etc.

Os Espíritos superiores apresentam figura bela, nobre e serena; os mais inferiores alguma coisa de feroz e bestial, e algumas vezes ainda apresentam os sinais dos crimes que cometeram e dos castigos que sofreram. Para eles é castigo o acreditar que aquela aparência é a realidade, isto é, que são o que mostram.

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