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Caráter e Conseqüências Religiosas de Manifestações de Espíritos

1. As Almas ou Espíritos dos homens, que viveram na Terra, constituem o mundo invisível no espaço que nos cerca.

Resulta daí que, desde que há Espíritos e que, se estes têm o poder de se manifestar, deveriam tê-lo em todo tempo. É o que provam a história e as religiões de todos os povos.

Ultimamente porém as manifestações de Espíritos têm adquirido enorme desenvolvimento e maior autenticidade, sem dúvida por querer a Providência curar a chaga da incredulidade e do materialismo por evidentes provas, permitindo aos que deixaram a Terra virem comprovar a sua existência e revelar-nos as condições felizes ou penosas em que vivem.(12)

2. O mundo visível, sendo envolvido pelo invisível, com o qual vive em perpétuo contato, age incessantemente sobre ele e recebe dele a reação. Esta reciprocidade é origem de uma multidão de fenômenos, considerados sobrenaturais, por se lhes ignorar a causa.

A ação e a reação de um mundo sobre outro é uma das leis, uma das forças da natureza, necessárias à harmonia universal, como por exemplo a lei de atração. Se aquela força deixasse de obrar, perturbar-se-ia a ordem universal, como em um maquinismo, de que se tirasse uma roda. Não têm, portanto, o caráter de sobrenatural os fenômenos produzidos por semelhante força ou lei da natureza, julgados tais por não se lhes conhecer a causa, como acontece com certos efeitos da luz, da eletricidade, etc.(13)

3. Todas as religiões têm por base a existência de Deus e por objetivo o futuro do homem depois da morte.

Esse futuro, que é de interesse capital, está necessariamente ligado à existência do mundo invisível; e é por isso que em todos os tempos a humanidade tem feito do conhecimento desse mundo o principal objeto dos seus estudos e preocupações. A sua atenção era naturalmente arrastada para todo o fenômeno indicativo daquele mundo, e nenhum havia tão positivo como o das manifestações dos Espíritos, pelos quais os seus habitantes nos revelam a sua existência. É por isso que os fenômenos se tornaram a base da maior parte dos dogmas das religiões.

(12) Várias escolas espiritualistas acusam o Espiritismo de só admitir espíritos humanos. Não é verdade. O Espiritismo é evolucionista e entende a evolução como um encadeamento universal de todas as coisas e todos os seres no progresso constante. O que ele sustenta é que o espírito humano representa na Terra o elo superior da evolução espiritual. Assim, os espíritos que nos rodeiam no plano invisível do planeta e se comunicam conosco são humanos. Os espíritos de outra natureza são sub-humanos ou divinos. Os primeiros pertencem às espécies animais e à classe dos em transição para a Humanidade e não estão ainda em condições de comunicar-se inteligentemente. Os segundos são guias e protetores, mas por isso mesmo já passaram pela Humanidade e são também humanos. (N. do Rev.)

(13) As Ciências vêm provando através de pesquisas que os fenômenos chamados sobrenaturais são, na verdade, naturais. O Espiritismo é a Ciência que liquida os últimos resquícios do sobrenatural, provando a naturalidade dos fenômenos psíquicos inabituais. Hoje, a Parapsicologia endossa inteiramente a tese espírita, dando razão a Kardec, tão combatido pelos cientistas materialistas ou religiosos. Os chamados fenômenos sobrenaturais do passado são hoje classificados como paranormais, o que vale dizer paralelos aos normais. (N. do Rev.)

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