Livro selecionado: "Obras Póstumas "

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II. A Alma

7. A alma sobrevive ao corpo e conserva a individualidade depois da morte.

Se a alma não sobrevivesse ao corpo, a única perspectiva do homem seria o nada, do mesmo modo como se a faculdade de pensar fosse produto da matéria. Se ela não conservasse a individualidade, isto é, se se perdesse no seio do grande todo, como gotas d'água no oceano, valeria isto pelo nada do pensamento humano, e as conseqüências seriam absolutamente as mesmas como se o homem não tivesse alma.

A sobrevivência da alma prova-se de maneira irrecusável e por assim dizer palpável pelas comunicações espíritas. A sua individualidade demonstra-se pelo caráter e qualidades próprias a cada uma; essas qualidades, distintas umas das outras, constituem a personalidade; se se confundissem em um todo comum, as qualidades de todos seriam uniformes.

Além dessas provas, ainda temos a material das manifestações visuais ou aparições, que são tão freqüentes e tão autênticas a ponto de não deixarem a menor dúvida.(4)

8. A alma é feliz ou infeliz depois da morte, segundo o bem ou o mal, que fez na vida.

Desde que se admite um Deus, soberanamente justo, é impossível crer-se que as almas tenham uma mesma sorte. Se o criminoso e o virtuoso tivessem a mesma posição depois da morte, inútil seria praticar o bem, e seria negar a justiça de Deus supor que ele não faz diferença entre os que praticam o bem e os que praticam o mal, o que seria a negação da sua justiça. Deus não seria justo se, não sendo o mal punido na Terra e o bem premiado, não o punisse ou galardoasse depois da vida terrestre.

As penas e recompensas futuras nós as conhecemos, materialmente, pelas comunicações com as almas dos que viveram entre nós, e nos vêm descrever as suas felicidades ou infelicidades, a natureza de uma e outras e o que as causa.(5)

9. Deus, a alma, a sobrevivência e a individualidade da alma depois da morte do corpo, as penas e as recompensas futuras — eis os princípios fundamentais de todas as religiões.

O Espiritismo vem acrescentar às provas morais desses princípios, as provas materiais através dos fatos e da experimentação, cortando assim pela raiz os sofismas do materialismo. Em presença dos fatos, não há razão para a incredulidade. E assim o Espiritismo restitui a fé aos que a perderam e dissipa as dúvidas aos que vacilam.

4) As pesquisas atuais já resultaram na admissão da sobrevivência por vários psicólogos dos mais eminentes. Whately Carington, de Cambridge, Inglaterra, chegou mesmo a elaborar uma teoria da sobrevivência da mente após a morte. Soal, da Universidade de Londres; Harry Price, de Oxford; Rudolph Tischner, de Berlim e numerosos norte-americanos chegaram a conclusões semelhantes. Rhine e sua esposa, a profª Louise Rhine, chegaram também a essa conclusão, como se pode ver pelo livro Canais Ocultos da Mente, desta última. A admissão geral da sobrevivência já se impõe ao mundo das Ciências. A primeira a demonstrar essa verdade através da experimentação foi a Ciência Espírita. (N. do Rev.)

(5) As pesquisas espíritas confirmaram cientificamente os princípios fundamentais das religiões. O problema das penas e recompensas de após morte é amplamente analisado por Kardec no livro O Céu e o Inferno. Veja-se na Revista Espírita, particularmente na seção intitulada Palestras Familiares de Além Túmulo, o método rigoroso seguido por Kardec na investigação das condições do Espírito após a morte. Assim, os grandes princípios religiosos foram submetidos à prova científica no campo da pesquisa psíquica. (N. do Rev.)

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