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II. A Alma

4. Há no homem um princípio inteligente que se chama ALMA ou ESPÍRlTO, independente da matéria e que lhe dá o senso moral e a faculdade de pensar.

Se o pensamento fosse propriedade da matéria, a matéria bruta pensaria; mas a matéria inerte evidentemente não possui faculdades intelectuais e o corpo logo que morre cessa de manifestar pensamentos, portanto é de rigor concluir que a alma é independente da matéria e que os órgãos corpóreos não são senão instrumentos de que se serve o homem para transmitir os pensamentos.(1)

5. As doutrinas materialistas são incompatíveis com a moral e subversivas da ordem social.

Se, como julgam os materialistas, o pensamento fosse uma secreção do cérebro, como a bílis o é do fígado, resultaria que, morto o corpo, a inteligência e as qualidades morais do homem ficariam reduzidas a nada; os pais, os amigos e todos, a quem se amasse, ficariam para sempre perdidos; o mérito do talento nada valeria, porque só ao acaso deveriam as suas faculdades transcender pela organização que teve, e entre o imbecil e o sábio a diferença seria apenas de mais ou menos massa cerebral.

As conseqüências desses princípios seriam que o homem, nada esperando depois desta vida, nenhum interesse teria em fazer o bem; que o que é natural é procurar ele todo o gozo possível, mesmo à custa dos outros; que seria estúpido privar-se do que lhe apraz por causa de outrem; que o egoísmo seria o mais racional dos seus sentimentos; que o infeliz, perseguido pela adversidade, o que melhor pode fazer é matar-se, uma vez que, tendo fatalmente de reduzir-se a nada, teria a vantagem de abreviar o tempo de sofrimentos.

A doutrina materialista é pois a sanção do egoísmo, fonte de todos os vícios; a negação da caridade, origem de todas as virtudes, pedra angular da ordem social — bem assim como a justificação do suicídio.(2)

6. A independência da alma é provada pelo Espiritismo.

A existência da alma é provada pelos atos inteligentes do homem, os quais decorrem necessariamente de uma causa inteligente e jamais de uma causa inerte. A sua independência da matéria é demonstrada de modo patente pelos fenômenos espíritas, que a mostram agindo por si mesma; e o é principalmente, pela experiência do seu desprendimento, durante a vida, o que lhe permite manifestar-se, pensar e agir separado do corpo.

A química separa os elementos constitutivos da água, patenteando-lhe propriedades, bem como pode decompor e recompor o corpo composto.

Pois bem!, o Espiritismo pode, do mesmo modo, separar os dois elementos constitutivos do homem: o espírito e a matéria, a alma e o corpo; pode separá-los e reuni-los à vontade, donde decorre a prova de sua independência.(3)

(1) Este princípio está hoje confirmado pela Ciência, graças às pesquisas da Parapsicologia. O Prof. Rhine e todos os cientistas da sua escola sustentam que a mente e o pensamento não são físicos, mas extrafísicos. Há no homem um elemento não material, que é a alma. Também na Física já se descobriu a antimatéria. (N. do Rev.)

(2) A situação atual do mundo, dominado pelo materialismo teórico e prático, é a mais absoluta confirmação desse princípio. Neste volume o leitor encontrará mensagens espirituais dirigidas a Kardec prevendo essa situação e anunciando grandes catástrofes morais. A passagem do religiosismo dogmático para o materialismo dogmático equivale ao salto de um extremo a outro. O Espiritismo aparece como a síntese histórica dessa contradição, oferecendo aos homens a solução cultural do impasse a que chegaram. (N. do Rev.)

(3) Richet assinalou, no Tratado de Metapsíquica, a vocação experimental de Kardec e a importância da sua contribuição para o desenvolvimento das Ciências Psíquicas. Todos os princípios do Espiritismo foram submetidos por ele a experiências científicas e a rigorosos processos de análise lógica. A operação referida acima decorre de experiências realizadas milhares e milhares de vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, bem como pelos grandes cientistas franceses, ingleses, alemães, italianos, russos e de outros países que se dedicaram à pesquina nesse campo. Hoje, os parapsicólogos repetem com êxito essas experiências, confirmando a veracidade dos princípios fundamentais do Espiritismo. Ver Parapsicologia Hoje e Amanhã, de J. Herculano Pires, especialmente o capítulo intitulado Espiritismo e Parapsicologia. (N. do Rev.)

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